"Vou fazer várias camadas de linhas musicais. Para mim foi uma forma de me desafiar a mim próprio, porque nunca fiz nada assim do género", disse à Lusa o baterista, que escolheu para destacar nesta atuação o ‘handpan’, ‘cajon’, ‘shakers’ e a técnica de ‘live looping’.

A residir nos Estados Unidos, Pedro Segundo viu neste evento "a oportunidade de explorar novas formas de fazer música ao vivo", explicando que gravou a atuação em Los Angeles, nos estúdios Champion da revista Drumhead.

"Esta é a primeira edição de sempre do festival e surgiu ‘online’ porque não podemos fazer presencialmente", disse o baterista. "Vamos conseguir chegar a mais pessoas pelo facto de ser ‘online’, porque este é o poder da internet: o facto de estarmos em qualquer canto do mundo e ter acesso a um festival que mostra diferentes bateristas".

No cartaz estão nomes como Steve Gadd (que tocou com James Taylor, Simon and Garfunkel e Eric Clapton), Simon Phillips (Judas Priest, David Gilmour, Gary Moore), Virgil Donati e Peter Erskine, entre outros virtuosos da bateria e percussão.

Os bilhetes para o festival custam entre 20 e 30 dólares (cerca de 17 e 25 euros) e as atuações começam às 21:00 de sábado e domingo, hora de Lisboa. A transmissão será feita com recurso a sete câmaras de alta definição e o festival ficará sempre disponível para quem comprou bilhete e o quiser rever.

"O alvo não é só músicos profissionais mas todos os graus, amador, intermédio, pessoas que sejam curiosas, há imensos fãs dos bateristas que tocam com as bandas favoritas", explicou Pedro Segundo.

Além disso, considerou, este é um evento que pode atrair pessoas que se encontrem sem nada para fazer durante a pandemia. "Com o confinamento, as pessoas estão com saudades de ver coisas ao vivo e esta é a única forma de estar mais perto desse formato".

Foi isso mesmo que inspirou o português a experimentar novos sons com o instrumento ‘handpan’, ao qual se dedicou desde que ficou confinado por causa da pandemia.

É isso que se ouvirá em "Cataplana Series", um EP duplo que chegará ao mercado em janeiro de 2021 e consiste em composições improvisadas em ‘handpan’, quatro em Los Angeles e quatro em Nova Iorque.

"Foi a forma de conseguir ultrapassar a solidão de não estar em tour com os artistas com quem costumo estar", disse Segundo, que tem acompanhado a cantora britânica Judith Owen nos últimos anos e já tocou com Dennis Rollins, Kansas Smitty's House Band e Academy of Saint Martin in the Fields (Murray Perahia, Joshua Bell, Sir Neville Marriner).

O título do EP é "um trocadilho" de linguagem, originado quando o artista considerou que o instrumento musical ‘handpan’, que está a celebrar vinte anos de existência, se parecia com uma cataplana.

"A Cataplana [Series] nada mais é que uma forma positiva de deixar um output criativo e inspirar outros artistas que estejam a sentir-se isolados e deprimidos, para não perderem a esperança e continuarem a alargar os horizontes e a pesquisa criativa", descreveu Pedro Segundo. "É isso que, enquanto artistas, precisamos. Não parar a busca de novos projetos, novos sons, novas aventuras".

O músico referiu que "não está fora de questão fazer uma tour com este instrumento", a seguir ao lançamento do EP, mas tudo dependerá da evolução da pandemia e da possibilidade de voltar a dar concertos.

"Sempre quis ser um cidadão do mundo", disse Segundo, que por estes dias dá aulas musicais em casa, através da plataforma Zoom. "Viajar é o que dá razão à minha vida artística".

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