O espetáculo “O Senhor Biedermann e Os Incendiários” vai estrear-se no próximo dia 8 de junho, na Oficina Municipal do Teatro (OMT), em Coimbra, resultando de uma adaptação feita a partir do texto original de Max Frisch.

Trata-se de uma criação do Teatrão, que surge no contexto do projeto “A Meu Ver”, em parceria com a ACAPO - Associação dos Cegos e Amblíopes de Portugal e que é financiada pelo Programa PARTIS & Art for Change, da Fundação Calouste Gulbenkian e da Fundação “la Caixa”, e pela Direção-Geral das Artes/República Portuguesa.

Telmo Ferreira e Mariana Nunes são os encenadores, que colocam em palco 18 intérpretes - dez com deficiência visual e oito normovisuais – numa narrativa que “pretende abordar aquilo a que hoje se pode chamar de as extensões do populismo”.

“O texto fala sobre duas pessoas que pedem abrigo, em casa de pessoas bem-intencionadas e com um bom nível económico. Usam e abusam da sua simpatia e caridade, para lhes montar, dentro de casa, um paiol de gasolina e dinamite que, mais cedo ou mais tarde, fará explodir aquela casa”, revelou Telmo Ferreira.

Em declarações à agência Lusa, o encenador explicou que, com este espetáculo, é criado “um paralelismo com o movimento político que se atravessa atualmente”.

“Apresentamos uma visão desta questão política das coisas começarem, muito gradativamente, quase como um fogo, a ganharem dimensão. E pretendemos demonstrar que só o conseguimos resolver todos em conjunto”, evidenciou.

No seu entender, este espetáculo é ainda mais arrojado do que “O que é Invisível”, desenvolvido no ano passado, também ele no âmbito do projeto “A Meu Ver”.

“Este ano propomo-nos a mostrar uma coisa que é ainda mais difícil do que aquilo que é invisível, que é mostrar aquilo que só conseguimos ver com uma visão comunitária. É essa imagem do fogo parecer enorme às pessoas que estão perto e de parecer mínimo a quem está longe, mas se todos olharem para o problema, ele será muito mais fácil de enfrentar, do que se for apenas olhado pelos visados”, defendeu.

Quando faltam duas semanas para a estreia do espetáculo, Telmo Ferreira ainda ajusta algumas falas das “suas bombeiras” que, munidas com capacetes, continuam a preparar-se para enfrentar em palco “os incendiários” da democracia.

Já a diretora de O Teatrão, Isabel Craveiro, apontou que este espetáculo é mais uma prova de que “o teatro é também para discutir os problemas do mundo”, entre os quais “o atual estado das democracias europeias”.

“No fundo reflete o momento que o mundo atravessa, com os movimentos populistas a fazer com que as democracias se enfraqueçam e que, de alguma forma, voltemos a um tempo que achámos que nunca mais íamos voltar. Mas essa é uma realidade que está a acontecer”, referiu.

Segundo Isabel Craveiro, o espetáculo propõe que se olhe para o que está à vista de todos, mas que só se consegue ver quando, em conjunto, nos voltamos para aquilo que se apresenta à nossa frente.

A 08 de junho, o espetáculo “O Senhor Biedermann e Os Incendiários” irá mostrar que a resolução da maioria dos problemas “compete a todos e não apenas àqueles que mais perto estão deles”.

Afinal, se o fogo lavrar descontroladamente, e nada for feito, mais cedo ou mais tarde, também chegará à sua porta…

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