A primeira temporada de "Run" está disponível através da HBO Portugal.

Foram visionados dois dos sete episódios que vão ficar disponíveis até ao final de maio. O terceiro episódio chega a 27 de abril.

Crítica de Filipa Moreno.


"Run" é a história de dois ex-namorados que reativam um plano de fuga antigo e reencontram num comboio com destino a Nova Iorque.

Nas entrelinhas desta sinopse simplista estão o protagonismo já merecido de Merritt Wever, a sua química instantânea com Domhnall Gleeson e as assinaturas criativas de Vicky Jones e Phoebe Waller-Bridge ("Fleabag"), prometendo comédia, suspense e feminismo.

Quando a irmã de Nicole (Scarlett Johansson) aparece em "Marriage Story" (2019), pensamos que bom é reencontrar Merritt Wever e ver que, em poucas cenas, continua a roubar atenções com o seu carisma instantâneo. Anos de papéis secundários, a fazer de melhor amiga, culminam finalmente num protagonismo muito merecido em "Run", no que parece uma afirmação das mulheres fortes que a dominam.

Merritt Wever é Ruby, uma espécie de dona de casa dos subúrbios americanos, a aproveitar o silêncio à porta de um supermercado. É interrompida por um telefonema do marido a pedir-lhe um recado. Logo de seguida, chega-lhe o escape tão esperado, um SMS com três letras apenas: RUN (“foge”). O remetente? Billy.

O dedo de Ruby treme enquanto escreve a resposta: as mesmas três letras. Os primeiros minutos da série deixam-nos em suspense, embora a descrição prometa uma comédia.

Ficamos a saber que Billy (Gleeson) e Ruby fizeram um pacto quando eram jovens namorados na faculdade e os dois primeiros episódios não acrescentam muito a essa  história. Agora, nos seus 30 anos, reencontram-se num comboio e levam o descontentamento pelas suas vidas na bagagem.

O reencontro é elétrico. Há uma química imediata entre Wever e Gleeson, uma tensão sexual, um entendimento próprio daqueles que partilharam intimidade. Ruby e Billy tentam recuperar os jogos mentais/psicológicos elaborados, como um velho hábito a que se tenta dar uma nova vida. Mas passou muito tempo. Eles são outros, as expectativas também e a química começa cedo a despertar desilusões.

É essa química que garante que ter Merritt Wever no protagonismo desta série foi a escolha certa ao fim de muitos anos como atriz secundária.

A verdade é que andou sempre no radar das grandes produções. A série "Nurse Jackie" mereceu-lhe prémios, a Netflix confiou nela para "Godless" e "Unbelievable". Participou em "New Girl", "The Walking Dead", e, nos filmes, esteve também em "O Lado Selvagem", "Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)" e, claro, "Marriage Story". Otimista, desajeitada, cómica e, menos vezes, num registo mais sério, eis uma atriz que é capaz de ser sempre uma presença luminosa nas histórias.

Vicky Jones (creditava como criadora e argumentista) e Phoebe Waller-Bridge (produtora executiva) – cujo pacto e amizade inspirou esta série – confiam na protagonista feminina para dar vida a Ruby, que conseguirá ser interessante, cómica e dramática. Ambas vêm de parcerias bem-sucedidas, como "Killing Eve" e "Fleabag". E "Run" herdou delas o mesmo tom corajoso, desafiador e até feminino.

Nos dois primeiros episódios, oscilamos entre o ponto de vista de Ruby e o de Billy. O poder da relação troca de mãos em função das expectativas e da urgência da fuga. E, claro, porque o mundo fora daquele comboio não para nem perdoa o que ficou para trás. E não há como julgarmos Ruby por abandonar a sua família e embarcar nele.

A avaliar pelo trailer [disponível em cima], teremos mais personagens e surpresas, evitando que nos foquemos apenas na relação do antigo casal. Mas o que já se pode ver nos primeiros dois episódios indica que "Run" vai certamente cativar os admiradores de Phoebe Waller-Bridge (que fará uma presença mais adiante) e de um humor britânico que não hesita em pôr a nu temas como a sexualidade e o politicamente correto e o desconforto que podem gerar...

4/5

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