A história: Quando o corpo de um lendário DJ de Manchester é descoberto 20 anos após o seu desaparecimento em Ibiza, a irmã dele regressa à bela ilha espanhola para descobrir o que aconteceu ao certo. A sua investigação irá mergulhá-la num mundo confuso de discotecas, mentiras e dissimulações, forçando-a a confrontar o seu lado mais obscuro num lugar onde se vive a vida no limite.

Todos os dez episódios da primeira temporada de "White Lines" estão disponíveis na Netflix desde 15 de maio.


Crítica de Daniel Antero

Série perfeita para quem está saturado de estar em casa, "White Lines" tem dez episódios enérgicos e é "over the top": não há tempo para ressacas sob o sol abrasador de Ibiza.

Sob a perspectiva de Zoe (Laura Haddock, a Meredith Quill de "Guardiões da Galáxia"), acompanhamos duas linhas temporais: os dias de glória de Alex Collins nos anos 90 (Tom Rhys Harries), enquanto este e o seu grupo de amigos traçam o caminho desde os clubes clandestinos de Manchester até às plataformas de DJ em Ibiza; e o presente, onde Zoe, traumatizada pela ideia de abandono, reavalia todo o seu passado e parte numa jornada de auto-descoberta e de investigação, para saber quem assassinou o seu irmão.

Seguimos então numa aventura repleta de personagens esforçadas e exageradas que povoam as praias baleares, onde uma trama de filme de gangsters e assassinatos no mar vai decorrendo à margem do excesso de festas e orgias.

Para equilibrar este lado negro e denso, o autor Alex Pina ("La Casa de Papel") sabe o que vende e cativa, e não descura a introdução de momentos cómicos inusitados, como uma banana insuflável cheia de cocaína e cães que snifam o que não deviam.

Mas todo este universo de abusos e de graça ilude e acaba por ter um peso desorientador em Zoe, que entre o trauma e a instabilidade mental, vai perdendo o rumo por se envolver com os vários suspeitos.

"White Lines", a nova série da Netflix com Nuno Lopes: "Não podia ter saído numa altura melhor, é o oposto do que estamos a viver"
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No grupo está a poderosa e disfuncional família dos Calafat, de quem Alex Collins se rodeou, em que os atores espanhóis Belén López, Marta Milans, Juan Diego Botto e Pedro Casablanc compõem uma dinâmica incestuosa estranhamente magnética; os amigos que viajam para Ibiza com Alex em busca de um sonho, grupo composto pelos atores ingleses Daniel Mays, Angella Griffin e Laurence Fox; e o ator português Nuno Lopes, interesse romântico da protagonista e a melhor interpretação de "White Lines".

Como Boxer, o chefe pessoal de segurança dos Calafat, Lopes, que fala em castelhano e inglês, é duro e sensível, frio e apaixonado, simples e intelectual, criando uma figura de contradições, que apesar de ter alguns traços pouco credíveis para a sua totalidade, é uma panóplia de emoções "badass" - o que muitos homens desejariam ser e muitas mulheres queriam ter ao seu lado.

No elenco, destaque ainda para a presença de Paulo Pires, claramente a divertir-se no papel do milionário George; e de Rafael Morais, como um Boxer mais jovem.

Apesar de ter os ingredientes certos para se tornar o sucesso primaveril da Netflix, o argumento de "White Lines" é como uma história contada por um grupo à volta de uma mesa, em que cada um floreia a sua parte. Intrincado, mas pouco suportado, enaltece a loucura de cada um, mas afunda-se nos dramas individuais, agastando-se e perdendo o seu registo global de mistério e "thriller".

O balanço é uma série bem-humorada e cheia de ritmo, que é uma óptima sugestão para "binge-watching", se não a levarmos muito a sério.

3/5

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