Lançado a 12 de novembro, o novo serviço de streaming da Disney tem "The Mandalorian" como uma das grandes "estrelas de cartaz".

O Disney+ apenas está disponível nos EUA, Canadá, Holanda, Austrália, Nova Zelândia e Porto Rico, e só chegará a outros países da Europa a partir de 31 de março (ainda não existe data oficial para Portugal), mas isso não impediu que uma das personagens da série se tornasse um fenómeno da cultura popular a nível global.

A primeira série "Star Wars" em imagem real decorre cinco anos após os eventos de "Star Wars: Episódio VI - O Regresso de Jedi" (1983) e foi desenvolvida por Jon Favreau ("Homem de Ferro", "O Rei Leão"), que descreveu o seu ambiente como estando a meio caminho entre os "westerns" e os velhos filmes de samurais.

A personagem principal é o Mandalorian do título, interpretado por Pedro Pascal, um pistoleiro caçador de recompensas que opera nos confins da galáxia, num universo ainda em caos, após a queda do Império e ainda sem governo central.

O elenco eclético integra ainda Nick Nolte, Giancarlo Esposito, Gina Carano, Carl Weathers, Emily Swallow, Omid Abtahi e, como atores, os realizadores Taika Waititi e Werner Herzog.

[AVISO DE SPOILER: Se não quer saber detalhes da série, não continue a ler este artigo]

No entanto, nem o mais poderoso estúdio de Hollywood conseguiu antecipar a gigantesca popularidade da personagem que apareceu pela primeira vez apenas nos segundos finais do primeiro episódio: "The child", uma "criança" de 50 anos da mesma espécie do mestre Jedi Yoda que o Mandalorian devia apreender e entregar para recolher uma recompensa, mas de quem acaba por se tornar efetivamente o guardião e protetor após esta revelar que tem os poderes da Força e de uma série de atribulações.

Triunfo de design e expressividade, com a mais ínfima atenção a todos os detalhes, a personagem não é uma criação digital, mas sim uma verdadeira marioneta operada por pessoas que lhe dão vida com a ajuda de efeitos visuais.

O impacto foi imediato e as redes sociais transformaram instantaneamente "The Child" em "Baby Yoda" e o tema de vários "memes", numa adoração parece ser praticamente unânime. Os fãs, tendo ou não visto a série, transcendem idades, nacionalidades e credos.

Como referiu a insuspeita e influente revista New Yorker, "somos todos fãs do 'Baby Yoda'". A Vanity Fair proclamou que 'Baby Yoda' é o nosso Deus agora".

Se "Baby Yoda" viveu para se tornar um fenómeno, há um homem a quem devemos agradecer: o realizador Werner Herzog, que na série interpreta o vilão "The Client".

Segundo o produtor executivo Dave Filoni, quando Herzog viu que ele Jon Favreau estavam a tirar o boneco após filmarem uma cena no episódio 3 para a voltarem a repetir de uma forma que permitisse posteriormente adicionar "The child" em CGI, o lendário cineasta alemão e ator ocasional não hesitou em envergonhá-los pela "cobardia" e disse deixarem o boneco onde estava.

Herzog foi o salvador oficial, mas não o único conquistado por "Baby Yoda". Gina Carano, outra presença no elenco, comparou-o ao Sméagol/Gollum da saga "O Senhor dos Anéis", dizendo à Vanity Fair que "o nosso precioso é este ser que acabamos todos por tomar conta de alguma forma", enquanto Deborah Chow, a realizadora do episódio 3, notou que "as pessoas se derretiam" sempre que era trazido para a rodagem.

Até Daisy Ridley, a heroína Rey da terceira trilogia "Star Wars", disse num recente programa de Jimmy Fallon que o preferia em relação aos porgs, os seres com quem "contracenou" em "Os Últimos Jedi".

Entretanto, Jon Favreau e a conta oficial "Star Wars" tornaram-se grandes impulsionadores da febre "Baby Yoda": a publicação das imagens dos designs originais do artista Christian Alzmann receberam milhares de "likes" e foram retuitadas outras tantas vezes.

A popularidade foi inesperada e o pouco "merchandising" disponível de "Baby Yoda", visivelmente uma solução de recurso apenas com impressões da imagem da personagem em t-shirts ou canecas, rapidamente esgotou, o que gerou fortes críticas dos muitos fãs descontentes, forçados a esperar em plena época festiva. Também aqui a "culpa" foi de Jon Favreau, que, receoso de que a existência de "The child" fosse revelada prematuramente, contou que quis adiar a inundação do mercado com produtos.

Brinquedos mais detalhados só vão chegar mesmo em 2020, mas o engenho artesanal e a oportunidade de negócio fez florescer "Baby Yoda" de malha e feltro, copos, gravuras, adesivos para carros e o que mais proporciona a imaginação.

Escapando-o ao gozo com que foram recebidos os Ewoks em "O Regresso de Jedi", "Baby Yoda" foi recebido com a paixão e obsessão reservada a um R2-D2, C-3PO ou, mais recentemente, ao BB-8 de "O Despertar da Força" (2015).

Os fãs seguem cada novo episódio de "The Mandalorian" com um fervor pouco visto nos filmes da terceira trilogia. Não é difícil de imaginar o que acontecerá quando (ou se) disser as primeiras palavras...

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