Como notou a realizadora de "Selma" Ava DuVernay, trata-se de um gesto que nunca acontece em Hollywood para algo que está sempre a acontecer: o realizador Alex Proyas e o estúdio Lionsgate pediram desculpa publicamente pela falta de diversidade racial no épico de fantasia peplum [espada e sandália] "Deuses do Egito" ("Gods of Egypt").

O gesto surgiu após a grande polémica online com o lançamento do trailer a 17 de novembro, quando várias personalidades, nomeadamente a atriz e cantora Bette Midler, notaram que surgem como mortais e deuses atores como o escocês Gerard Butler, o inglês Rufus Sewell, o australiano Brenton Thwaites ou o dinamarquês Nikolaj Coster-Waldau.

No elenco principal, o americano e negro Chadwick Boseman, o futuro Pantera Negra nos filmes da Marvel, é a única exceção.

"O processo de fazer o 'casting' de um filme tem variáveis muito complicadas, mas é claro que as nossas escolhas deviam ter sido mais diversificadas", declarou Alex Proyas. "Peço sinceramente desculpa aos que se sentiram ofendidos pelas escolhas que fizemos".

Num comunicado em separado, a Lionsgate foi ainda mais longe.

"Reconhecemos que é uma responsabilidade nossa ajudar a garantir que as decisões de 'casting' refletem a diversidade e a cultura das épocas retratadas. Neste caso não conseguimos estar ao nível dos nossos próprios padrões de sensibilidade e diversidade, e por isso pedimos sinceras desculpas. A Lionsgate está profundamente empenhada em fazer filmes que refletem a diversidade das nossas audiências. Podemos, devemos e vamos continuar a fazer melhor".

Vários analistas compararam o casting a uma "ferida aberta da Hollywood dos anos 1950" e como notou um analista do site Deadline Hollywood, o mais seguido dentro da indústria do cinema, "tendo em conta os milhares de anos que se passaram desde o auge da civilização do Antigo Egito, é difícil saber com precisão como eram os egípcios da antiguidade. No entanto, baseado nas estátuas e monumentos que sobreviveram, para além dos milhares de anos dos comentários das outras culturas sobre eles, de certeza que eles não eram brancos com cabelo louro encaracolado esvoaçante e os seus deuses de certeza que não eram europeus."

Esta polémica é em tudo igual à que enfrentou Ridley Scott com as escolhas de Christian Bale ou Joel Edgerton em "Exodus: Deuses e Reis" ou até de Mackenzie Davis para uma personagem de "Perdido e Marte" que no livro se subtende ser uma americana de origem coreana.

Na altura da estreia do primeiro, o realizador foi bastante claro a justificar as suas escolhas.

"Não posso montar um filme com este orçamento, onde tenho de depender no abatimento de impostos em Espanha, e dizer que o meu protagonista é Mohammad qualquer coisa. Não vou conseguir que seja financiado."

"Deuses do Egito" estreia a 25 de fevereiro de 2016.

Veja o trailer.

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