«He gave her class. She gave him sex». Foi assim que
Katharine Hepburn explicou a química explosiva e inesperada que se desenvolveu no ecrã entre
Fred Astaire e
Ginger Rogers, que se tornaram mundialmente famosos nos anos 30 graças aos vários musicais que então protagonizaram. Ele parecia ter nascido de «smoking», ela tinha uma aura de mulher vivida mas sofisticada. Ele deu-lhe a classe que ela ainda não tinha, ela a carga sexual que a ele lhe faltava, e no meio da Grande Depressão juntos fizeram as audiências do planeta sonhar com tempos melhores. Mas a carreira de Ginger Rogers foi muito mais que isso.

Nascida Virginia Katherine McMath em 1911, Ginger Rogers começou a actuar na adolescência no circuito de teatros de «vaudeville» e aos 18 estreou-se num espectáculo da Broadway. Antes disso, aos 17, já tinha casado com um colega de profissão, do qual se separaria meses depois. Em 1930, aos 19 anos, protagonizou o musical de George e Ira Gerswhin
«Girl Crazy», tornou-se uma estrela dos palcos e rumou a Hollywood.

Seguiram-se curtas-metragens e um papel secundário de forte visibilidade em
«Rua 42», mas foi a sua prestação, também secundária, em
«Voando para o Rio de Janeiro», que a catapultou para a fama mundial.
Dolores Del Rio e Gene Raymond eram os protagonistas, mas todas as atenções recairam no número musical «The Carioca», em que ela dançou com Fred Astaire e que lhes valeu o contrato para os papeis principais do estrondoso sucesso que foi
«A Alegre Divorciada».

Entre 1933 e 1939, Ginger e Fred protagonizaram mais sete musicais: «Roberta»,
«Chapéu Alto» (o mais popular de todos), «Siga a Marinha»,
«Ritmo Louco», «Vamos Dançar?», «Quero Sonhar Contigo» e «O Bailado da Saudade». No auge da crise económica dos anos 30, a dupla fez sonhar multidões e acreditar que qualquer pessoa podia cantar e dançar sem qualquer tipo de esforço ou dificuldade. Astaire teria muitas outras parceiras, até com ainda mais talento para a dança (
Cyd Charisse, por exemplo), mas nunca mais teve outra com quem tivesse a mesma química, que conseguisse manter tão visíveis as emoções da respectiva personagem ao longo dos números musicais.

Essa capacidade dramática serviu bem Ginger na outra fase da sua carreira, que começou já nos anos 30: a de actriz de dramas e comédias, com vários sucessos no currículo: «A Porta das Estrelas» (1937), «Casamento em Segedo (1938),
«A Rapariga da Quinta Avenida» (1939), «Mãezinha à Força» (1939), «Os Amores de Joaninha» (1941),
«Lua sem Mel» (1942),
«A Incrível Susana» (1942, o primeiro filme realizado nos EUA por
Billy Wilder),
«Com Todo o Meu Coração» (1944), ou «É Bonita, Apresenta-se Bem» (1942), cujo título original era «Roxie Hart» e que se baseia na história que daria origem a
«Chicago», com a actriz no papel que mais tarde faria
Renée Zellweger.

Em 1941, porém, Ginger atinge um dos pontos altos da sua carreira ao conquistar o Óscar de Melhor Actriz pelo papel dramático de
«Kitty Foyle, A Rapariga da Gola Branca». Filmes como «Companheiras Adoráveis» (1943), «A Mulher que Não Sabia Amar» (1944) ou «Fim-de-Semana no Waldorf» (1945) tornaram-na então a actriz mais bem paga de Hollywood.

Em 1949 voltou a unir-se a Fred Astaire no musical «O Bailado do Ciúme» mas a partir dos anos 50 a sua carreira no cinema definhou, apesar de bons papéis em filmes como
«Tragédia na Cidade» (1950) ou
«A Culpa foi do Macaco» (1952) com
Cary Grant e
Marilyn Monroe.

A partir daí, a actriz foi aparecendo pontualmente no cinema e na televisão e durante os anos 60 teve grandes sucessos no teatro, nomeadamente nos papéis principais de «Hello Dolly» e «Mame».

Ginger Rogers faleceu em 1995, aos 83 anos. Se, mesmo que injustamente, boa parte das dramas e comédias que protagonizou se foram desvanecendo na memória cinéfila, a maioria dos musicais dos anos 30 que protagonizou com Fred Astaire mantêm-se clássicos absolutos do cinema.

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