Mesmo antes de chegar ao cinema em maio de 2015, já corriam histórias sobre como fora bastante duro fazer "Mad Max: Estrada da Fúria" nas condições extremas do deserto da Namíbia ao longo de nove meses em 2012.

Também os atores Tom Hardy e Charlize Theron admitiram que, apesar de se respeitarem, tiveram um choque de personalidades e evitavam o contacto quando as câmaras não estavam a rodar, acabando por replicar a relação que tinham as personagens de Max Max e Imperator Furiosa.

Os dois reconheceram que outro foco de tensão foi a falta de controlo sobre o que estavam a fazer porque o realizador George Miller tinha dificuldade em dizer-lhes qual a visão criativa que tinha na cabeça.

A conferência de imprensa durante a apresentação no Festival de Cannes ficou célebre por ter começado com Tom Hardy a fazer um longo pedido de desculpas ao cineasta, descrevendo-o como "brilhante", dizendo que só ao ver o filme percebeu qual era a visão e como difícil explicar por palavras.

Todos garantem que os problemas foram ultrapassados, mas a dupla de Charlize Theron revelou novos aspectos de como a tensão afetou a restante equipa, tornando a rodagem mais "intensa" e "desafiante": os dois atores nem se podiam ver.

"Foi difícil. Foi realmente difícil. Foi difícil porque obviamente eu tinha de passar tempo com os dois e ambos não queriam estar juntos", explicou Dayna Grant à edição britânica do jornal Metro.

Como não queriam fazer as cenas em conjunto sempre que isso fosse possível, Dayna Grant acabou por trabalhar com Tom Hardy e o duplo do ator, Jacob Tomuri, fazia as cenas com Charlize Theron.

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A dupla acrescentou que a tensão foi evidente desde o início, na fase dos ensaios:"Disseram-nos para tentar e fazer com que funcionasse o máximo possível, o que foi desafiante porque normalmente estamos todos num grupo grande e trabalhamos juntos, enquanto [aqui] estávamos de certa forma separados".

Vale a pena recordar que Dayna Portel acabou por casar com Dane Grant, que foi o duplo temporário de Tom Hardy nos ensaios, antes de Jacob Tomuri, com maior parecença, ser escolhido para acompanhar o ator durante a rodagem.

A tensão dos atores também foi abordada num artigo a festejar os cinco anos que se tornou viral do The New York Times com a história oral da criação do épico pós-apocalíptico, que juntou os depoimentos de mais de 20 pessoas.

Tom Hardy admitiu que não estava preparado para a responsabilidade de ser Mad Max e que se teria saído melhor agora, que tem mais experiência.

Já Charlize Theron disse que, "em retrospetiva, não tive empatia suficiente para verdadeiramente perceber o que ele deve ter sentido para substituir o Mel Gibson. Isso é assustador".

Em vez de se ajudarem mutuamente, acrescentou, criaram muros para se proteger:  "Tudo era sobre sobrevivência".

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"Mad Max: Estrada da Fúria" foi aclamado pelos críticos e um moderado sucesso de bilheteira, prejudicado pela ausência da estreia na China.

Foi nomeado para 10 Óscares, incluindo Melhor Filme, e ganhou seis estatuetas em categorias técnicas.

A valorização artística tem crescido desde 2015, com a presença em listas dos melhores filmes  da década.

George Miller confirmou que vai avançar uma prequela sobre Furiosa antes de "Estrada da Fúria", sem Charlize Theron.

Trailer de "Mad Max: Estrada da Fúria".

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