José Fonseca e Costa faleceu hoje de manhã, confirmou à Lusa o produtor Paulo Branco, que estava a produzir o último filme do realizador, "Axilas", baseado num conto do escritor Ruben da Fonseca.

A notícia foi avançada pela edição online do semanário Expresso, segundo o qual o realizador morreu hoje de manhã no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, de uma pneumonia, na sequência de uma pré-leucemia com que lutava há meses.

Em declarações à agência Lusa, o produtor Paulo Branco adiantou que apesar de já estar doente, o realizador decidiu avançar com o seu mais recente projeto, “que era muito importante para ele”.

Com 2/3 rodados, "Axilas" baseia-se num conto de Ruben da Fonseca, com argumento do Mário Botequilha, e Paulo Branco garante que será concluído.

O Cineasta artístico que conquistou o público 

José Fonseca e Costa nasceu em Angola a a 27 de junho de 1933 e mudou-se para Lisboa em 1945. Entrou para Direita na Universidade de Coimbra, mas acabou por se trocar pelo cinema.

Concorreu a uma vaga como assistente de realização na recém-fundada RTP, ficando em primeiro lugar, mas não assumiu a função quando o ativismo contra o Estado Novo levou à interferência da polícia política, que o chegou a deter por duas vezes.

Em 1961, fixou-se em Itália e iniciou então o seu percurso profissional com um estágio com Michelangelo Antonioni durante a produção de “O Eclipse”.

De regresso a Portugal, começa a trabalhar a partir de 1964 em filmes publicitários e documentários antes de fazer a estreia nas longas-metragens de ficção com "O Recado" em 1972.

Um dos pioneiros do Novo Cinema em Portugal, foi ainda responsável pelo primeiro filme dessa geração a ter grande popularidade comercial: com 121 mil espectadores, "Kilas, o Mau da Fita", de 1981, permanece um dos maiores êxitos da história do cinema nacional.

Durante a década de 80 assina outros títulos importantes do cinema português: "Sem Sombra de Pecado", "Balada da Praia dos Cães" e "A Mulher do Próximo".

Após "Os Cornos de Cronos" em 1991, teve outro sucesso comercial significativo com "Cinco Dias, Cinco Noites", protagonizado por Vítor Norte e Paulo Pires, adaptação do romance homónimo de Manuel Tiago (Álvaro Cunhal).

Sem o mesmo impacto ficaram os trabalhos seguintes na ficção, "O Fascínio" (2003) e "Viúva Rica Solteira Não Fica" (2006). Assinou ainda o documentário "Os Mistérios de Lisboa" (2009).

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