O Festival de Cinema de Veneza voltou a receber de braços abertos os filmes da Netflix na sua programação, o que já valeu fortes críticas.

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Os filmes da plataforma de streaming anunciados para a competição principal esta quinta-feira são "The Laundromat", de Steven Soderbergh, e "Marriage Story", de Noah Baumbach, enquanto "The King", de David Michod, será exibido noutra secção.

A Amazon estará representada, fora da competição, por "Seberg", com Kristen Stewart.

A International Union of Cinemas, que representa as exibidoras de cinemas (as salas) em 38 territórios na Europa, não demorou a reagir à decisão do festival mais antigo do cinema.

"A inclusão de filmes nas seleções oficiais que estão ao alcance de todos - e não apenas dos assinantes das plataformas de streaming - beneficia o público como um todo", salientou a organização em comunicado.

"Já para os filmes que estão disponíveis somente nessas plataformas, ou recebem apenas um lançamento 'técnico' limitado nos cinemas, a seleção para festivais e prémios torna-se, na verdade, apenas um instrumento de marketing em que à maioria da potencial audiência é recusado o acesso à riqueza de grande conteúdo", acrescenta o texto.

Há um ano, a presença da Netflix em Veneza já fora ferozmente atacada, principalmente após "Roma", de Alfonso Cuarón, receber o Leão de Ouro, a distinção principal.

Ninguém colocou em causa a decisão do júri presidido por Guillermo del Toro ou o mérito artístico do filme, que viria posteriormente a ganhar três Óscares, mas várias organizações italianas, incluindo a que representa realizadores e argumentistas e a associação católica de exibidores de cinema, descreveram o festival como um "instrumento de marketing" para a Netflix, apelando ao ministro da cultura para lançar uma investigação à promoção que era dada à plataforma já que a "Mostra del Cinema" é paga com subsídios públicos.

Outro argumento era que o festival estava a dar "grandes recursos" à plataforma, tornando ainda mais difícil a posição dos cinemas italianos e europeus.

Por seu lado, Alberto Barbera, o diretor artístico de Veneza, defendeu as escolhas, dizendo que acompanhavam as alterações na indústria, em contraste com a organização do Festival de Cannes, que recusa ter na programação títulos sem exibição assegurada nas salas de cinema de França.

Este princípio também é partilhado pelo Festival de Berlim, mas, não obstante, selecionou em fevereiro o primeiro filme Netflix, "Elisa y Marcela", de Isabel Coixet, porque tinha presença assegurada nas salas de Espanha, o país da realizadora.

A decisão não agradou aos exibidores alemães independentes, que chegaram a apelar à sua retirada da competição, já que "não teria uma distribuição normal nos cinemas".

Perante as divisões, o diretor da Berlinale, Dieter Kosslick, apelou aos festivais internacionais para encontrarem "uma posição comum sobre como lidar com os filmes das plataformas no futuro".

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