A cópia digital restaurada de “Maria do Mar” de Joaquim Leitão de Barros, a “longa-metragem mais importante do cinema mudo português”, servida pela composição de Bernardo Sassetti, pela Orquestra Sinfonietta de Lisboa, abrem, no sábado, o Porto/Post/Doc.

A película de “Maria do Mar”, de 1930, foi “o primeiro restauro que a Cinemateca fez no final dos anos 1990, quando abriu o seu próprio laboratório de restauro fotoquímico”, explica à Lusa Tiago Baptista, diretor do departamento de arquivo da Cinemateca Portuguesa (ANIM - Arquivo Nacional das Imagens em Movimento).

Mas “o aparecimento do digital, que mudou a paisagem da maneira como os cinemas mostram os filmes”, tornou necessária uma segunda intervenção de digitalização e “de novo restauro digital” desta obra de Joaquim Leitão de Barros, considerada “muitas vezes a longa-metragem mais importante do cinema mudo português”.

Com esta nova versão digital, o filme ganhou também uma banda sonora, com uma composição de Bernardo Sassetti, que chegou a gravar uma parte de piano, e que é mostrada ao vivo, pela Sinfonietta de Lisboa, num filme-concerto que faz as honras de abertura do festival Porto/Post/Doc.

A música original foi gravada em 2010, com Bernardo Sassetti (piano), Filipa Pais (voz) e a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, sob a direção do maestro Vasco Pearce de Azevedo.

“A banda sonora está integrada no filme, porque imagino que existam salas de cinema que não tenham a sorte, como os espetadores do Porto/Post/Doc, de poder ter a Sinfonietta de Lisboa a interpretar ao vivo. Nesses casos, há uma cópia com a música sincronizada para que as pessoas possam ouvir a música”, diz Tiago Baptista.

Para quem não tenha essa sorte, “a Cinemateca espera, até ao final do ano, lançar em DVD este filme com a banda sonora”, adianta o responsável.

“O Sassetti gostava muito do filme e a partitura faz, creio eu, muita justiça a esse gosto especial que tinha pelo filme. As duas partes, filme e música, acabam por se alimentar uma à outra, e dar força uma à outra. É uma experiência muito especial poder ver o filme com música ao vivo. Também é especial porque nos ajuda a recordar que no tempo do cinema mudo era esta a norma”, destaca o diretor do departamento de arquivo da Cinemateca Portuguesa.

"Maria do Mar" é um "notável trabalho de integração da paisagem marítima e da vida dos pescadores da Nazaré numa ficção construída à volta do ódio entre duas famílias, de onde brota uma história de amor que ultrapassa qualquer rivalidade", resume a Cinemateca Portuguesa.

O filme-concerto realiza-se este sábado, às 21:30, no Teatro Rivoli, no Porto, “passados 125 anos do nascimento de Leitão de Barros e das primeiras sessões de cinema em Portugal”, destacou a organização do festival.

A obra emblemática tem a honra de cerimónia de abertura para a oitava edição do Porto/Post/Doc, que, até 30 de novembro, traz quase 100 filmes a seis salas portuenses, sob o tema central “Ideia para Adiar o Fim do Mundo”.

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