Esta segunda-feira, Dia Europeu do Espectador de Cinema, o governo anunciou a criação da Autoridade Nacional de Segurança Cinematográfica (ANSC) e a intenção de criar um cadastro para os espectadores das salas.

O objetivo é aumentar o civismo e combater comportamentos antissociais que incomodam os espectadores e prejudicam o normal funcionamento das sessões de cinema, como usar o telemóvel, falar em voz alta, dar pontapés ou colocar os pés em cima das cadeiras e mudar várias vezes de lugar.

"Há vários anos que as gerências das salas nos vêm manifestando a sua preocupação com os comportamentos de alguns espectadores e a frustração por não terem meios para os combater", explicou um porta-voz do Ministério da Cultura esta manhã.

"Não é que a falta de civismo tenha aumentado dramaticamente nos últimos meses, mas acreditamos que a atual crise de espectadores seria menor se conseguíssemos recuperar aqueles que se recusam a frequentar as salas por causa destes comportamentos", acrescentou o responsável governamental.

"Os funcionários dos cinemas queixam-se de serem gozados e até ameaçados quando chamam a atenção dessas pessoas. É preciso mentalizá-las que o ato de comprar um bilhete não lhes permite portarem-se como se estivessem nas suas casas ou nas redes sociais. Basta uma pessoa para estragar a experiência de dezenas ou centenas à sua volta", reforçou.

O sistema a implementar pela ANSC será semelhante ao da carta de condução: os espectadores começam com 12 pontos e estes vão sendo retirados em caso de infrações, desde as advertências dos funcionários dos cinemas por comportamentos incorretos à necessidade de chamar a segurança dos estabelecimentos ou as autoridades policiais, bem como o consumo excessivo de álcool e substâncias psicotrópicas.

Quando o espectador chegar aos seis pontos, o preço dos bilhetes aumenta 50%, e passa para o dobro se chegar aos quatro pontos. Essa "multa" não ficará para os cinemas, mas para o Ministério da Cultura.

As interdições começam nos três pontos: o espectador fica então impedido de frequentar os cinemas durante um mês e cada ponto subtraído significa mais um de interdição. Estas sanções podem ser evitadas se aceitar frequentar uma ação de formação cívica.

Se chegar aos zero pontos, o espectador fica mesmo impedido de frequentar todas as salas de cinema até frequentar a ação de formação e fazer uma prova teórica.

Não existirá um cartão do espectador: o número de Cartão de Cidadão terá de ser indicado no ato da compra de bilhete e será enviado instantâneamente para um novo Portal de Contra-Ordenações da ANSC, onde cada pessoa também poderá consultar quantos pontos tem.

No caso das bilheteiras "online", o sistema não autorizará a conclusão da operação caso o espectador tenha três ou menos pontos e estiver em período de suspensão. Nos cinemas, os funcionários apenas vão receber a informação se podem ou não vender o bilhete, sem ter acesso aos pontos.

O governo remeteu para o diploma que será aprovado em Conselho de Ministros esta quinta-feira outros esclarecimentos, nomeadamente sobre a compra de bilhetes por grupos ou como serão identificados os espectadores advertidos pelos funcionários para perder pontos.

ESTA NOTÍCIA FOI A NOSSA MENTIRA DE 1 DE ABRIL.

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