Mágico. Talvez seja esta a melhor palavra para descrever o concerto da cantora norte-americana Stacey Kent, na passada quarta-feira, no Coliseu do Porto. O regresso a Portugal de uma das melhores artistas de jazz vocal da atualidade não desiludiu os portuenses, que divagaram ao som da melancolia deste inesquecível e poético espetáculo. Stacey Kent apresentou o seu novo álbum, "The Changing Lights", que celebra a música brasileira, interpretando temas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes, Sérgio Mendes, Roberto Menescal e Marcos Valle, algumas das suas inspirações. A acompanhá-la estiveram o seu marido, Jim Tomlinson (tenor saxofone, soprano saxofone e percussão), Graham Harvey (piano), Jeremy Brown (contrabaixo) e Josh Morrison (bateria e percussão).

O concerto abriu com This Happy Madness, uma adaptação de Estrada Branca, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Este foi, sem dúvida, o momento em que Stacey esteve mais próxima da sua banda, numa harmonia mais do que perfeita entre voz e instrumental, que deixou a audiência, desde início, extasiada. Um bom começo para Stacey, tão adorada pelo público português.

O tema que se seguiu dá nome ao seu décimo álbum de estúdio, "The Changing Lights". Foi dos momentos mais aplaudidos da noite, notória que foi a ligação ao seu marido e a sua interação com o público, sedento, que se entregou ainda mais à atuação da cantora.

Waiter, Oh Waiter, a ser escrito pelo seu marido desde 2007, é um dos temas mais importantes para Stacey - e ela fez questão de deixar isso bem claro. Escrito para a "homenagear", contacom passagens virtuosas, que não podiam ter feito a plateia vibrar mais.

O Barquinho, canção composta por Roberto Menescal, um dos ídolos de Stacey, em 1960, viu Stacey a entregar-se de forma plena. Aqui foi visível o quão importante é este tema para a norte-americana, que já o queria gravar há muitos anos. Com as luzes focadas no palco, e com o resto do Coliseu pouco iluminado, esta atuação, em português, levou o público a entoar toda a canção. Intensidade e intimidade foram, sem dúvida, as palavras de ordem da performance.

Oh Insensitive, de Jobim e Moraes, um tema sobre fim de relacionamentos, conseguiu uma atuação tremenda de Stacey, em que esta, através de um tom mais duro, não hesitou em mostrar a desilusão que esta canção evidencia. Um dos temas que confirmou o crescimento de Stacey ao longo destes últimos anos. Sem dúvida, poderoso.

O tema que se seguiu foi One Note Samba (Tom Jobim / Newton Mendonça). Neste, Stacey conseguiu que o público dançasse e a acompanhasse, numa cover cheia de vínculos brasileiros, que se traduziu numa bela alquimia.

Os temas A Tarde e Mais Uma Vez, com letras do escritor António Ladeira, seu professor nos Estados Unidos, não foram esquecidos no concerto de quarta-feira. Mais Uma Vez foi uma das músicas mais pedidas pelos fãs da artista no Facebook e Stacey fez questão de satisfazer o público portuense.

The Face I Love (Marcus Valle) foi, talvez, a interpretação que mais exibiu a faceta romântica da cantora. Poética, avassaladora, tornou ainda mais alegre a audiência.

The Summer We Crossed Europe in The Rain, um original, é um dos temas em que Stacey faz melhor uso da sua voz, plantando ideias no coração das pessoas. Memórias de "sunny cathedral steps" geraram uma melancolia alegre, uma melancolia que fez a plateia fechar os olhos e deixar-se ir. Um tema mágico, em que Stacey consegue, através da sua voz, falar sobre relações intensas, sobre cumplicidade.

O resgate deSmile, de Charles Chaplin, chegou antes do encore, tornando evidente a energia entre banda e público. O concerto terminou com uma cover de Bebel Gilberto, da conhecidaSo Nice,depois da qual abanda aproveitou para agradecer aos fãs pelo maravilhoso concerto. Falando sempre em português, Stacey referiu que foi "uma honra, um privilégio e um prazer" atuar na Invicta e prometeu voltar novamente, para alegria dos fãs.

Texto: Mariana Marques

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