O argentino Carlos Moscardini, que fez parte da equipa de músicos com a qual Ramil gravou o álbum, sobe também ao palco do Teatro Municipal às 21:30. Moscardini tinha já partilhado o palco com Ramil em Lisboa, em 2012, na Culturgest, na apresentação do álbum "Délibáb".

Segundo Vítor Ramil, “foi nessa altura, aqui em Lisboa”, que fechou o disco que apresenta no palco da rua António Maria Cardoso. “Gostei muito de trabalhar com ele, pelos caminhos do som que fizemos e daí repeti”, disse.

“A música que faço é daquele território brasileiro gaúcho, onde se junta o Uruguai e a Argentina, é cada vez mais uma música de fusão, de encontros”, afirmou. "Não sou, nem me apresento como o gaúcho típico, que sempre surge algo eufórico", afirmou à Lusa, acrescentando, “o gaúcho surge quase sempre como uma caricatura, homem a cavalo, de chapéu, a cantar num tom de dó maior", acrescentou.

"A milonga gaúcha é diferente da argentina e da uruguaia, que é mais épica", explicou. Referindo-se à "sua" milonga, afirmou que "é mais melódica e mais contínua, não é a típica canção do campo", pois é um músico citadino e tem "referências também da canção brasileira".

Vítor Ramil estreou-se em Portugal em 2009, precisamente no S. Luiz, no espetáculo "Satolep Sambatown", com Marcos Suzano.

Na terça-feira, pela primeira vez, Ramil partilha o palco com a fadista Gisela João e com o pianista Mário Laginha, o que qualificou como “desafiante e motivador”.

”Como o violão tomou muito conta da minha música e eu toco o violão arquejado, há muito tempo que não tocava com piano fender. Fez-me muito bem tocar com o Laginha, que admiro, e isso levou-nos mais além, até com projetos para o futuro”, disse. Com o pianista português Ramil interpreta "Quanta Tempestade", precisamente do seu espetáculo de estreia em Portugal, e “Um amor”, de autoria de Laginha.

Com Gisela João, o músico brasileiro interpreta "Invento", que originalmente gravou com Ney Matogrosso, e "Estrela, Estrela", uma canção do seu primeiro álbum, saído em 1981. “A Gisela [João] tem um timbre muito original, e tem uma grande entrega quando canta. Por outro lado, ela gosta de canções circulares, que julgo relacionadas com o repertório popular tradicional português, e é um pouco a cara das minhas canções, que são composições com muita circularidade”, disse.

@Lusa

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