Carole Fréchette, que nasceu em Montreal (Québec), em 1949 e, em 2002, foi galardoada com o prémio Siminovitch de teatro, falava à agência Lusa durante a estada em Portugal, para assistir à estreia da peça “João e Beatriz”, na Casa de Teatro de Sintra, onde fica em cena até 21 de outubro.

A escritora veio assistir à estreia de "João e Beatriz" e à leitura encenada de outra peça sua, “As quatro mortes de Marie”, realizada no passado fim de semana na livraria Ler Devagar, na Lx Factory, em Lisboa.

Apesar de não ter obra traduzida em Portugal, o que a dramaturga “gostava que acontecesse”, esta é a terceira obra da autora que chega a palcos portugueses, depois de “Os sete dias de Simão Labrosse” e de “O colar de Helena”, em cena em 2006, no Teatro Aberto e no Teatro Municipal de Almada, respetivamente.

Sobre "João e Beatriz", que a atriz Sofia Borges dirige agora em Sintra, depois de ter tomado contacto com a escrita da autora há 20 anos, Carole Fréchette diz que quando escreveu esta peça aspirava “conhecer um grande amor”, pelo que se “projetou” na personagem que construiu de Beatriz.

“Na altura senti-me à espera de um príncipe que mudasse a minha vida”, disse à agência Lusa, acrescentando que, no entanto, escreveu a peça determinada a “brincar com estereótipos masculinos e femininos”.

“O homem conquista, a mulher espera ser conquistada. Construi a peça assim não para denunciar estas figuras estereotipadas, mas para reconhecer que estas figuras também moram em cada um de nós”, confessou.

Daí que tenha desenhado a personagem de Beatriz como uma “princesa caprichosa”, enquanto deu a João uma personalidade “fria, de caçador de recompensas”.

“Mas, com o avançar do jogo, descobrimos contradições e fragilidades, sobretudo na personagem do João, em quem fui descobrindo um imenso medo do outro, de se perder no outro”, sustentou.

Carole Fréchette diz conhecer pouco o teatro português, exceto algum trabalho de Tiago Rodrigues, diretor artístico do Teatro Nacional D. Maria II, de quem já viu trabalhos num festival em Montreal.

Questionada pela Lusa sobre novos projetos, Carole Fréchette disse estar a trabalhar em três novas dramaturgias, em simultâneo, uma das quais concluiu há pouco.

Trata-se de “Nassara”, uma peça cuja ação se desenvolve em Ouagadougou, capital do Burkina Faso, durante uma conferência sobre agricultura, que põe em confronto uma mulher ocidental, que participa na iniciativa, e uma jovem africana, que faz uma ação desesperada.

A dramaturga está também a trabalhar numa peça sobre Ismênia, irmã de Antígona, que aprofunda um monólogo anterior, apresentado em 2006, em França.

“Ismênia é vista como uma personagem apagada nas tragédias de Sófocles, por oposição à irmã Antígona. Mas interessa-me bastante pelas suas dúvidas e pelo desejo de acabar com a violência”, observou a dramaturga canadiana, à Lusa.

Outro trabalho em curso de Carole Fréchette é partilhado com a escritora Lise Vaillancourt, romancista e dramaturga, nascida em Montreal, em 1954.

Há quatro anos, as duas escritoras comprometeram-se a escrever uma à outra, de duas em duas semanas, relatando os progressos dos projetos que tinham em curso.

A troca de correspondência durou até há pouco tempo e as duas escritoras estão agora a adaptar para teatro esse diálogo, que Carole Fréchette disse originar um “espetáculo íntimo e atípico”, que, um dia, também gostaria de ver representado em Portugal.

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