O júri deste prémio - convocado pela Fundação Princesa das Astúrias – foi presidido por Miguel Zugaza Miranda e composto por José María Cano de Andrés, Maria de Corral López-Dóriga, Sérgio Gutiérrez Sánchez, José Lladó Fernández-Urrutia, Ara Malikian, Ricardo Martí Fluxá, José María Pou Serra, Sandra Rotondo Urcola, Benedetta Tagliabue, Aarón Zapico Braña e Catalina Luca de Tena e García-Conde, marquesa do Vale de Tena (secretária).

A candidatura ao prémio que tem um valor pecuniário de 50 mil euros foi proposta por Antonio Lucas, membro do júri do Prémio Princesa das Astúrias das Letras 2019.

Peter Brook nasceu em Londres, a 21 de março de 1925, formou-se em Arte no Magdalen College de Oxford e fez as suas primeiras montagens – “A máquina infernal” (1945), de Jean Cocteau, “King John” (1945), de Shakespeare, e “Vicious circle” (1946), de Jean Paul Sartre – com apenas 20 anos de idade.

Entre 1947 e 1950, assumiu a liderança da Royal Opera House de Covent Garden (Londres), onde se destacou a sua produção da ópera de Strauss “Salomé”, com figurinos desenhados por Salvador Dalí, e em 1962 foi nomeado diretor do Royal Shakespeare Theatre (Stratford), teatro de que saiu em 1970, perante a proibição de trabalhar com atores internacionais e depois de ter apresentado as obras de Shakespeare com uma nova abordagem.

Em 1971, fixou residência em Paris e fundou o Centro Internacional de Investigação Teatral, atualmente designado Centro Internacional de Criação Teatral, do qual é diretor.

Peter Brook dirigiu também, entre 1974 e 2010, o teatro parisiense Les Bouffes du Nord.

“Considerado o melhor encenador do século XX e um dos grandes renovadores do teatro contemporâneo”, segundo o comunicado do prémio, Peter Brook, que também dirigiu ópera e cinema, trabalhou em cenários de toda a Europa e em países como Índia, África do Sul e Irão, entre outros.

Das suas obras, que abarcam quase todos os estilos teatrais, destacam-se títulos como “Medida por Medida” (1950), “A tempestade” (1955) ou “A visita” (1958), além de “Rei Lear” (1962), “The screens” (1964), “Marat-Sade (1964), “Timon d'Athènes” (1974), “A conferencia dos pássaros (1976) e a ópera “A tragédia de Cármen (1983).

Em 1985, após dez anos de preparação, apresentou “Mahabharata”, uma montagem teatral de seis horas de duração.

Em 1989, a pretexto do Ano dos Direitos e Liberdades do Homem, estreou “Levanta-te Albert!”, um drama sobre a discriminação racial em África.

Entre os seus últimos trabalhos, contam-se “Sizwe Banzi est mort” (2007), “Eleven and Twelve” (2009), “Warum Warum”(2010), “The Suit”(2012), “Battlefield” (2015), “The Prisoner” (2018) e “Why”, que se estreará em junho deste ano.

Brook é ainda autor de vários livros de crítica teatral traduzidos para várias línguas, incluindo “The Empty Space” (1968), que se tornou um texto fundamental sobre teatro moderno e publicado em mais de 15 idiomas, incluindo em Portugal, pela Orfeu Negro.

O galardoado também dirigiu vários filmes como “O Senhor das Moscas” (1963), “Marat / Sade” (1967), “King Lear” (1971), “Swann in Love” (1984) e “The Mahabharata” (1989), entre outros.

Cavaleiro da Legião de Honra da França e Comandante da Ordem do Império Britânico, Peter Brook é doutor ‘honoris causa’ de várias universidades e membro honorário da Academia Americana de Artes e Ciências, entre outros.

Os Prémios Princesa das Astúrias destinam-se, de acordo com os Estatutos da Fundação, a premiar "o trabalho científico, técnico, cultural, social e humanitário" realizado por pessoas, instituições, grupos de pessoas ou instituições na cena internacional”.

De acordo com estes princípios, o Prémio Princesa das Astúrias das Artes será concedido pelo “trabalho de cultivo e melhoria de cinematografia, teatro, dança, música, fotografia, pintura, escultura, arquitetura e outras manifestações artísticas".

Nesta edição, foi apresentado um total de 40 candidaturas provenientes de 17 países.

Este foi o primeiro dos oito prémios Princesa das Astúrias que se concedem este ano, em que se cumpre a sua 39.ª edição.

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