Arquiteto-chave da música eletrónica, com forte influência na pop das últimas décadas, o DJ francês de 52 anos fará, este sábado, uma atuação que será transmitida em direto de Nova Iorque, O objetivo é arrecadar fundos para o combate à COVID-19. A localização exata do espetáculo é segredo.

À AFP, David Guetta contou que irá fazer uma remistura do êxito "Empire State of Mind", de Jay-Z e Alicia Keys.

Recentemente, o DJ fez um espetáculo no terraço de um prédio em Miami que foi visto por cerca de oito mil moradores e por milhões de espectadores online. A iniciativa arrecadou mais de 750 000 dólares para aliviar a crise causada pelo coronavírus.

O direto de sábado vai ajudar várias organizações, incluindo a Organização Mundial de Saúde (OMS) e uma fundação francesa que apoia hospitais.

Leia a entrevista de David Guetta à AFP:

Como tem lidado com a quarentena?

A minha vida geralmente consiste em andar em aviões, ir de hotel em hotel, viajar para o próximo espetáculo. Isso mostra-me o quão importante é, para a inspiração, simplesmente passar tempo com o teclado. Durante esse período, disse a mim mesmo: 'OK, estou sozinho, posso dedicar algum tempo para criar e tentar fazer algo novo'.

Sou um dos sortudos. Não me preocupo com como vou me alimentar no próximo mês. O meu confinamento é em Miami. No momento, estou olhar para o oceano, de forma que não é assim tão mau. Tenho tentado aprofundar-me em mim mesmo. Fui muito abençoado pela vida e, talvez, não tenha retribuído o suficiente. Por isso, comecei a fazer [estes espetáculos].

A pandemia atingiu o mundo da música em força. Como acha que serão os espétaculos ao vivo no futuro?

Vai ser muito difícil para os DJs... Não vou mentir. Não estou a planear trabalhar antes de 2021.Os nossos hits geralmente começam nas discotecas, nos festivais. Agora não há discotecas, não há festivais, como fazemos?  É o momento certo para se tornar um melhor produtor, trabalhar em casa, criar música. Estou a criar este catálogo incrível e quando as coisas abrirem, estarei pronto.

Qual o papel da música na crise?

Sinto a necessidade de fazer mais pop... Em tempos de crise, as pessoas precisam de se sentir bem, e a música tem esse poder. O meu maior sucesso como produtor foi provavelmente "I Got A Feeling", para os Black Eyed Peas, e foi durante a crise financeira. Foi em 2009 (...) O mundo estava a passar por uma catástrofe, e uma música tão simples e feliz tornou-se no maior sucesso da minha carreira. Eu gosto da onda techno escura, mas a minha mente não está nisso agora.

A música de dança eletrónica normalmente depende de multidões e da dança para criar uma atmosfera. Isso pode ser alcançado na era do distanciamento social?

[O meu espetáculo em abril em] Miami teve uma das atmosferas mais incríveis que eu já vi. As pessoas desejam entretenimento, interagir (...), algo que os humanos precisam tanto quanto comer e respirar. Quando entrei no meu carro para ir para casa (...) todo o bairro ainda estava a gritar. Foi uma loucura Estas não são condições ideais, mas também é algo muito especial. Graças ao sucesso desse espetáculo, agora vamos fazer isso em Nova Iorque, o que é incrível.

Como acha que a pandemia está a moldar o futuro da sociedade? 

A minha esperança é que esta seja uma demonstração óbvia de que fronteiras, fronteiras sociais, raças... que tudo isso não significa nada. A realidade é que somos iguais perante esta doença. Espero que não seja o contrário (...), que as pessoas vivam mais confinadas, com medo de outras pessoas.

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