Sopram do Tejo os ares gélidos da noite lisboeta para assombrar o regresso dos Metallica aos espaços abertos em terras lusas. No alinhamento os “irmãos”, como os chama o cantor e guitarrista James Hetfield, Kirk Hammett, Robert Trujillo e Lars Ulrich.

O Estádio do Restelo assistiu a algumas repetições do concerto de há um ano na Altice Arena, em Lisboa, enquanto as novas músicas surgiram no alinhamento da digressão em curso desde o lançamento de “Hardwire... to Self Destruct”, em 2016 – tanto em relação à referida apresentação quanto aos últimos concertos da banda nos primeiros meses de 2019.

 Os espíritos do “western spaghetti” continuam a abrir os trabalhos – enquanto os ecrãs são invadidos por sequências do clássico “O Bom, o Mau e o Vilão” e os acordes emocionais de Ennio Morricone ganham um enorme aplauso no final.

VEJA NA GALERIA AS IMAGENS DO CONCERTO:

 "Hardwired" é a primeira música, saída do pesado álbum de 2016, que marca os caminhos de uma banda que nunca mais quis voltar aos ares mais amenos do álbum de 1991, precisamente aquele que os tiraram do nicho do “metal” para os tornar numa instituição. A visita ao passado começa logo: “Disposable Heroes”, "Ride the Lightining”, “The God that Failed” e “The Unforgiven”.

 "Hardwire... to Self Destruct" foi revisitado em alguns momentos intercalados com uma inevitável subida de intensidade com os velhos clássicos. “Moth into Flame” é um dos momentos mais convidativos do álbum, exibido dentro de um cenário de magníficos efeitos especiais que incluem tochas sincronizadas com a música.

Curiosamente, os ecrãs vão abaixo quando a emoção sobe de tom com “Sad but True”. Esta é sucedida pela belíssima “Welcome Home (Sanitarium)”, de “Master of Puppets”, uma prévia para “One”, antecedida por “Frantic”, uma rara visita ao “St. Anger”.

“One”, como não poderia deixar de ser, é poderosíssima, com um cenário de guerra combinando som e visual para a recriar enquanto espetáculo a realidade bélica deste sombrio hino pacifista.

Metallica no Estádio do Restelo (2019)
créditos: RODRIGO GATINHO

A banda, que começou a inventar algo que seria rotulado de “thrash metal” e salvou o “rock” dos “posers” no início dos anos 1980, foi buscar a “Kill em’ All” as palavras de ordem de “Seek and Destroy” para encerrar o concerto.

O “encore” trouxe mais uma do último trabalho (“Lords of Summer”, incluída pela primeira vez na digressão) antes dos acordes mundialmente famosos de “Nothing Else Matters” e, claro, um grande momento com “Enter Sandman”, onde James Hetfield lidera um cortejo de fãs extasiados para a terra-do-nunca.

 HOMENAGENS PORTUGUESAS

 Aos protocolares “obrigados” com sotaque “yankee” e os “happy to be here”, a banda inseriu outros tantos signos de empatia e conexão com a “família portuguesa” dos Metallica: a bandeira foi incorporada ao cenário de uma das músicas e no final foram reveladas fotos de Lisboa nos ecrãs, sob os acordes de “Nothing Else Matters” até surgir um “Thank you Lisbon”.

 Claro que neste quesito o ponto alto foi repetir a surpresa de “A Minha Casinha”, tornada viral após o concerto dado pelo grupo no início de 2018 no Altice Arena. Esta foi antecedida, no entanto, por uma homenagem aos ícones do “punk” lusitano Censurados.

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