As dúvidas sobre se este verão os festivais de música iam ou não acontecer foram respondidas. A decisão foi tornada pública depois do Conselho de Ministros desta quinta-feira, dia 7 de maio.

"Impõe-se a proibição de realização de festivais de música, até 30 de setembro de 2020, e a adoção de um regime de caráter excecional dirigido aos festivais de música que não se possam realizar no lugar, dia ou hora agendados, em virtude da pandemia", revelou o Governo esta quinta-feira, em comunicado após Conselho de Ministros.

"Não ficamos muito surpreendidos porque se olharmos para o que se tem passado em vários países europeus, tínhamos uma expectativa negativa que o mesmo pudesse acontecer para nós”, frisou Álvaro Covões em entrevista à RTP3. "O impacto económico vai ser devastador", defendeu.

Em declarações ao canal, Álvaro Covões, promotor do festival NOS Alive e vice-presidente da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE), avançou ainda que serão organizados pequenos eventos. "Nós enquanto organizadores de eventos vamos começar a trabalhar em pequenos eventos para dar trabalho a um conjunto de pessoas", admitiu, lembrando que este vai ser o primeiro verão em 25 anos em que não há um festival em Portugal.

"Vamos trabalhar nesse sentido porque não podemos deixar todas as empresas e todos os trabalhadores que dependem de nós sem trabalho", garantiu, adiantando que está a ser "desenvolvido um manual de boas práticas para apresentar ao Governo" para "poder fazer eventos pequenos em segurança".

Álvaro Covões (da empresa "Everything is New"), Roberta Medina ("Better World" - Rock in Rio), Luís Montez ("Música no Coração"), João Carvalho e Filipe Lopes ("Ritmos"), e Jorge Lopes (MEO Marés, Pavilhão Rosa Mota) estiveram no dia 28 de abril reunidos com António Costa e com os ministros de Estado e da Economia, Pedro Siza Vieira, da Saúde, Marta Temido, e da Cultura, Graça Fonseca.

No final da reunião, Roberta Medina, vice-presidente do Rock in Rio, sublinhou que "foi um diálogo muito produtivo", agradecendo ao Governo por reconhecer o valor da indústria, da cultura e do entretenimento. "Nos próximos dias, temos de aguardar que as decisões sejam tomadas", acrescentou.

Já Álvaro Covões, promotor do festival NOS Alive e vice-presidente da Associação de Promotores de Espetáculos, Festivais e Eventos (APEFE), frisou que todo o setor veio tem uma "vontade de começar a trabalhar, como todos os portugueses, o mais rápido possível". "Sabemos que esta abertura tem de ser progressiva e em segurança e, portanto, viemos transmitir as nossas angústias e a nossa vontade de trabalhar. Confiamos que agora o governo tome as melhores decisões no sentido de iniciarmos a retoma. Estamos todos com vontade de ver um palco, ver um espetáculo, ver um artista e de aplaudir. E um aplauso para os portugueses que se têm portado muito bem nesta época de confinamento", acrescentou.

Questionado pela Lusa sobre a avaliação de prejuízos pela paragem forçada de atividade desde março, Álvaro Covões referiu apenas que são já cerca de 27 mil os espetáculos adiados ou cancelados.

Já o primeiro-ministro afirmou, primeiro no Twitter e depois numa entrevista na RTP, que o Governo iria procurar “soluções que minimizem os impactos da crise provocada pelo covid-19 no setor”, e que havia uma "enorme probabilidade" de os festivais não acontecerem este ano.

Do calendário português de festivais de verão há vários eventos que também já foram cancelados ou adiados. A nona edição do Rock in Rio Lisboa foi adiada para 2021. Já o NOS Primavera Sound do Porto, previsto para os dias entre 11 e 13 de junho, e que foi adiado para 3, 4 e 5 de setembro.

A edição deste ano do Festival Músicas do Mundo (FMM), previsto entre 18 e 25 de julho, em Sines, distrito de Setúbal, foi cancelada.

A edição deste ano do Boom Festival, que, tal como o Rock in Rio Lisboa, decorre de dois em dois anos, mas em Idanha-a-Nova, foi remarcada para 2021. A 13.ª edição do Boom Festival acontecerá de 22 a 29 de julho.

O Barroselas Metalfest, que iria acontecer entre 29 de abril e 2 de maio, passou para a mesma data, mas em 2021, o ID No Limits, que deveria decorrer hoje e no sábado em Cascais foi adiado para os dias 13 e 14 de novembro, no mesmo local, o Centro de Congressos do Estoril, em Cascais, e o Gouveia Art Rock, que deveria decorrer entre 1 e 3 de maio, foi adiado para 3 a 5 de outubro.

O Festival Tremor, que ia acontecer entre 31 de março e 5 de abril, em São Miguel, nos Açores, e já tinha a lotação esgotada, foi cancelado e o Soam as Guitarras, que teria início a 2 de abril foi adiado, para data que será anunciada depois de levantado o estado de emergência.

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