Joel Pina acompanhou sempre Amália Rodrigues, de quem guarda “viva recordação”, como disse numa entrevista à agência Lusa, mas no meio fadista são poucos os intérpretes que não foram acompanhados pela sua viola baixo, instrumento que, por seu intermédio, passou a fazer parte do acompanhamento tradicional, à guitarra portuguesa e à viola, da canção de Lisboa.

O músico, numa das suas entrevistas à Lusa, recordou como a equipa francesa do filme "Les Amants du Tage” (“Os Amantes do Tejo”, 1955), de Henri Verneuil, fez questão de contar com a sua participação, acompanhando Amália, que fazia parte do elenco, e descreveu como muitos “brincavam” consigo referindo-se ao instrumento -- a viola baixo -- como “o frigorífico”.

O certo é que os fadistas passaram a contar com a viola baixo no seu acompanhamento habitual e, de preferência, com Joel Pina.

O músico fez parte do Conjunto de Guitarras de Raul Nery, homenageado pela Câmara de Lisboa, pela sua excelência musical e contributo para a música, em junho de 1999. Por iguais motivos, em 1992, o Ministério da Cultura entregou-lhe a Medalha de Mérito Cultural. Em 2005 recebeu o Prémio Amália Rodrigues, distinguindo-o como “o Melhor Viola-Baixo” e pela sua contribuição para o desenvolvimento do instrumento.

A lista de fadistas que Pina acompanhou, vai do fado à música ligeira, com nomes como Maria Teresa de Noronha, Tony de Matos, Max, Frei Hermano da Câmara, Carlos do Carmo, Fernando Farinha, Manuel Fernandes, Tristão da Silva, António Rocha, Ricardo Ribeiro, Camané.

Em outubro do ano passado, no Museu do Fado, em Lisboa, numa entrevista aberta ao público, a fadista Maria Amália Proença, com 81 anos e mais de 60 de carreira, confessou que lamentava nunca ter sido acompanhada por Pina, que estava entre ao público, e endereçou-lhe um convite para a acompanhar no seu próximo CD.

Pina nasceu em Rosaminhal, no concelho de Idanha-a-Nova, na Beira Baixa, onde começou, como autodidata, a tocar bandolim, antes de se iniciar no solfejo. Aos 12 anos, em 1932, começou o estudo da guitarra portuguesa e da viola. Seis anos depois fixou-se em Lisboa, iniciando-se, como espetador, no circuito das casas de fado.

A profissionalização surgiu em 1949, quatro anos depois de se casar com Aurora Gonçalves Borges. O músico Martinho d’Assunção convidou-o a fazer parte do seu Quarteto Típico de Guitarras, que incluía ainda António Couto e Francisco Carvalhinho. Em 1959, entrou para o Conjunto de Guitarras de Raul Nery, com quem manteve amizade até à morte do guitarrista, em junho de 2012.

“Amizade forte e sólida, de quem se estima e sempre se foi camarada”, disse Joel Pina, numa entrevista à Lusa.

O conjunto, nas suas diferentes fases, incluiu igualmente nomes como José Fontes Rocha, Joaquim do Vale e Júlio Gomes.

Além de acompanhador, Joel Pina foi também autor de melodias, nomeadamente de “Folha Caída”, “Madrugada” e “Tempo Perdido”.

Na Mesa de Frades, entre outros, marcam hoje presença a diretora do Museu do Fado, Sara Pereira, o guitarrista Pedro de Castro, e os fadistas João Braga, Teresinha Landeiro, Ricardo Ribeiro, Jorge Fernando, que também acompanhou Amália, à viola, e Margarida Bessa.

Pina participou, em 2013, na apresentação do mais recente CD de Margarida Bessa, “Saudade das Saudades”, que incluiu uma entrevista ao músico.

O Museu do Fado tem previsto fazer uma homenagem a Joel Pina, no próximo dia 20 de março, no Teatro Municipal S. Luiz, que contará com a participação de, entre outros, Ana Sofia Varela, Camané, Gonçalo Salgueiro, Joana Amendoeira, João Braga, Jorge Fernando, Katia Guerreiro, Lenita Gentil, Maria da Fé, Mísia, Pedro Moutinho, Rodrigo e Teresinha Landeiro.

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