Ao longo de toda a noite de terça-feira, 25 artistas portugueses subiram ao palco do Meo Arena, em Lisboa, para um concerto solidário com lotação esgotada, 14 mil pessoas, e teve na plateia figuras como o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa e o Presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues.

No final do concerto - que foi transmitido em direto e simultâneo pela RTP, SIC, TVI e todas as rádios nacionais -, foi anunciado que os donativos tinham totalizado um milhão e centro e cinquanta e três mil euros para ajudar as populações afetadas pelo incêndio que deflagrou no passado dia 17 no concelho de Pedrógão Grande, no centro do país.

Num dos intervalos da iniciativa, Marcelo Rebelo de Sousa - que foi muito requisitado pelos presentes para as já habitais 'selfies' - realçou aos jornalistas que Portugal é "uma grande Nação, uma Nação muito unida, muito solidária e muito antiga".

"Quer dizer que já passou por muita coisa ao longo de nove séculos. Perda de independência, crises, guerras, catástrofes e ultrapassou sempre, deu sempre a volta por cima", recordou.

O chefe de Estado enalteceu que a Nação também agora "foi capaz de se unir e de ser solidária" com as populações afetadas pelos incêndios que deflagraram na região Centro, há mais de uma semana, e provocaram 64 mortos e mais de 200 feridos.

Artistas solidários com a preocupação de que o apoio chegue às populações

Marisa Liz, a vocalista dos Amor Electro, a segunda banda a subir ao palco, a meio da sua atuação, afirmou: “Garantimos que o dinheiro vai para as pessoas certas”.

“Temos que confiar, eu acho que essa é a filosofia portuguesa em tudo”, disse à agência Lusa a fadista Ana Moura, uma das participantes que se afirmou confiante, “dada toda a energia gerada”, que os meios financeiros alcançados vão ser empregues a favor das populações afetadas dos concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pera.

O fadista Camané é da mesma opinião e afirmou-se igualmente confiante, referindo que “é quase impossível minimizar algum sofrimento das pessoas que perderam a vida e daquelas que perderam os seus entes queridos” e sentenciou: “Estamos aqui para sermos solidários, dar o nosso melhor e tentar que pelo menos esta tragédia não seja esquecida por ninguém, para que as coisas mudem definitivamente”.

Relativamente aos incêndios, o criador de “Sei de Um Rio” afirmou que “as lições deveriam ter sido tiradas há muito mais tempo, sem perdas de vidas e sem termos chegado a este ponto”.

“As pessoas estão tão sensibilizadas, tão unidas nisto, isto foi uma tragédia tão grande, foi um choque para todos (...). Acho que [o total apurado] vai mesmo para tentar minimizar os danos causadas a estas pessoas”, rematou o intérprete.

David Fonseca, músico de Leiria, próxima da região onde se aconteceram os incêndios, afirmou à Lusa que o drama foi tão grande “que todos sentem de igual forma” e realçou que “os artistas tem uma atenção desmedida das pessoas e dos meios de comunicação e, como tal, têm que ter alguma atenção com aquilo que representam e, neste caso, a mensagem não é difícil de passar".

Referindo-se à aplicação do dinheiro arrecadado com esta ação, o intérprete de “Kiss me, Oh Kiss me” salientou que “preocupa a organização desde o início e que foram todos muito claros desde o início de que havia uma preocupação extrema da maneira como foram pensados, pela organização e pelas pessoas" que foram [ao Meo Arena] e "haverá uma clareza e transparência"

“Não tenho dúvidas nenhuma que tudo o que está a acontecer aqui vai transformar-se m algo real”, rematou.

Vários espetadores, à entrada do espetáculo revelaram idênticas preocupações e a mesma confiança.

“Normalmente, não digo neste caso, mas na maioria dos casos, o dinheiro não chega lá onde é preciso, há sempre uns desvios pelo meio”, disse à Lusa Sandra Silva, da Póvoa de Santo Adrião, nos arredores de Lisboa.

Rui Nunes, de Lisboa, afirmou: “nem sequer quero pensar que as coisas não sejam devidamente aplicadas, o destino [do dinheiro] deve ser aplicado por entidades credíveis, e ao que parece é a Santa Casa, portanto por aí não me sinto preocupado”.

Liliana Valente, de Lisboa, veio pelos artistas, “mas essencialmente pela solidariedade” pois “foi uma tragédia muito grande e todos devemos refletir sobre isso”.

“Temos de refletir para não voltar a suceder”, afirmou por seu turno, Sandra Silva, da Póvoa de Santo Adrião, nos arredores de Lisboa, que deseja que se “possa remediar alguma coisa que possa”.

A fadista Ana Moura, que no dia 23 de julho vai atuar em Pedrógão Grande, um dos concelhos mais afetados pelo fogo, realçou que se sente “orgulhosa” pela forma como os portugueses responderam a este apelo solidário.

Para a criadora de “Desfado”, o concerto de Lisboa demonstra o “poder da música” em juntar as pessoas.

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