A notícia foi dada pelo jornal The New York Times, citando o responsável pela Pace-MacGill Gallery, de Manhattan, que representava o artista de origem suíça que residia há décadas em Inverness, na Nova Escócia, no Canadá.

Robert Frank celebrizou-se através do seu livro "Os Americanos" (1958), com imagens a preto e branco captadas em viagens que realizou pelos Estados Unidos, e que se tornou num manifesto contra a tradição mais conservadora da fotografia, com um grande impacto nas gerações que se seguiram, reforçado pelo texto de Jack Kerouac, que acompanha a obra, desde a edição original.

O livro apresenta imagens captadas em meados dos anos 1950, com autoestradas, carros, paradas, 'jukeboxes' e os típicos 'diners' (restaurantes) que retratavam a América daquela época e, ao mesmo tempo, sugeriam uma espécie de alienação do estilo de vida americano.

"Os Americanos" - criado com uma bolsa da fundação Guggenheim - tornou-se um livro seminal da fotografia, transformando Robert Frank num dos mais aclamados autores do século XX, também pela controvérsia provocada pelo seu estilo aparentemente leve e casual, mas de impacto imediato.

Colaborador regular como fotógrafo de revistas como Harper’s Bazaar, Fortune, Life, Look, McCall’s, Vogue e Ladies Home Journal, Robert Frank passou depois a interessar-se por cinema, criando clássicos da subcultura norte-americana como "Pull My Daisy" (1959), o seu primeiro filme, um dos títulos pioneiros do cinema independente norte-americano, centrado na Beat Generation, com participações de autores como Allen Ginsberg e Kerouac, que escreveu o comentário irónico, dito em 'off'.

Nascido na Suíça, em Zurique, a 9 de novembro de 1924, Frank foi para Nova Iorque, aos 23 anos, justificando depois ter saído do seu país de origem devido à "mentalidade pequena" dos valores vigentes.

Filho mais novo de pais judeus, estudou com designers gráficos em Zurique, Basileia e Genebra, tornando-se grande admirador de Henri Cartier-Bresson, cofundador da famosa agência Magnum, em 1947, dedicada à fotografia.

Em 1961, realizou a sua primeira grande exposição no Instituto de Arte de Chicago e, a partir de 1971, instalou-se numa zona selvagem do Canadá, onde vivia com a mulher, continuando a realizar um trabalho de autor, muito introspectivo, na área do cinema e da fotografia.

Em 1965, realizou o filme “Me and My Brother”, e ainda “Candy Mountain” (1988), com Rudy Wurlitzer, de caráter autobiográfico.

Em "Conversations in Vermont" (1969), abordou a sua relação com os filhos, através da fotografia e dos álbuns de família, num diálogo sobre sentimentos, educação e o que representou para eles crescer num mundo boémio com pais artistas.

A Cinemateca Portuguesa tem incluído na sua programação diversos filmes do fotógrafo-cineasta. Assim aconteceu em 2018, durante o ciclo "24 Imagens", dedicado a cinema e fotografia, com a exibição de algumas das suas obras iniciais.

Em 2016, a Cinemateca apresentou "Don't Blink, Robert Frank", documentário dirigido por Laura Israel, que editou os filmes de Robert Frank desde os anos de 1980/1990, sobre todo o seu percurso.

"Harry Smith at the Breslin Hotel" (2018), "Cool Man in a Golden Age" (2010), sobre o artista Alfred Leslie, e "True Story" (2004), com instantâneos de vida familiar em casas de Nova Iorque e da Nova Escócia, são alguns dos documentários mais recentes de Robert Frank.

Em 2010, o fotógrafo que está na origem de todas as imagens que fazem a capa de "Exile on Main Street" (1972), dos Rolling Stones, acompanhou a reedição do álbum com o vídeo da canção bónus "Plundered My Soul".

Um ano antes, em 2009, o centro de arte contemporânea Jeu de Paume, em Paris, fez uma exposição retrospetiva da obra de Robert Frank e, mais recentemente, em 2015, a National Gallery de Washington colocou na sua página da Internet uma coleção com cerca de oito mil obras do fotógrafo e documentarista, produzidas entre 1937 e 2005, entre as quais a série “Os Americanos”.

Em entrevistas, questionado sobre a razão de ter fotografado tanto a pobreza na América, Robert Frank respondia que o fez, porque gostava de retratar pessoas lutadoras. E porque tinha aversão àqueles que ditavam as regras.

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