Em "Paula Rego: O grito da imaginação", este equipamento cultural do distrito de Aveiro apresenta trabalhos que a pintora portuguesa, radicada no Reino Unido, criou no período de 1975 a 2004 e que atualmente fazem parte da Coleção da Fundação de Serralves, no Porto.

O conjunto selecionado para São João da Madeira é acompanhado, contudo, por três obras em depósito na própria Oliva: "Red Creature" (1981) e "A árvore de Dubuffet" (1985), ambas assinadas por Paula Rego e pertencentes à Coleção Norlinda e José Lima, e ainda "The Glandelinians caught in the act by ferocious Lagorian girl scouts..." (c. 1930-50), da autoria de Henry Darger, incluída na Coleção Treger Saint Silvestre.

A escolha dessas três obras como complemento às pinturas cedidas por Serralves prende-se com o facto de Paula Rego ter ao longo da sua carreira assumido influências do francês Jean Dubuffet (1901-1985) e do norte-americano Henry Darger (1892-1973), duas referências maiores da Arte Bruta.

"No cruzamento de memórias pessoais com múltiplas referências da tradição pictórica e literária, o trabalho de Paula Rego caracteriza-se por uma obsessiva abordagem aos aspetos mais sombrios, profundos e ambíguos das relações humanas e das articulações entre o indivíduo e o coletivo", explica fonte do Centro de Arte Oliva.

A mostra sobre "O grito da imaginação" demonstrará assim que, "seja em composições mais extravagantes e repletas de humor e ironia, ou em narrativas pictóricas mais densas e cuidadosamente cenografadas, Paula Rego explora desassombradamente temas como o poder e a obediência, a dor física e psicológica, a vergonha e o orgulho, a violência, a solidão e a sociabilidade".

Já no que se refere à mostra a inaugurar no sábado, intitulada "Sereno Variável", reúne 170 retratos da coleção a que Richard Treger e António Saint Silvestre deram início na década de 1980, como especialistas em Arte Bruta, Arte Singular, Arte Vudu e variantes próximas.

As obras agora selecionadas refletirão assim o próprio gosto dos colecionadores. Segundo fonte da Oliva, o conjunto testemunha o seu apreço não só "pelo retrato e pela figura humana, mas também por diferentes aproximações [ao referido género artístico], tanto ao nível do detalhe fisionómico e de processos de registo primorosos, como ao nível do desproporcional e do indeterminado".

Na análise a esses trabalhos poderão identificar-se, portanto, "criaturas sábias entre sombras de maneirismo e grotesco", ecos de "literatura medieval e epopeias" pela Europa, "referências mitológicas e enigmáticas", máscaras, sátiras e "jogos ilusionísticos".

A exposição "Paula Rego: O grito da imaginação" fica patente ao público até 7 de fevereiro de 2021. A mostra "Sereno Variável" prolonga-se até 2 de maio.

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