O pintor Nikias Skapinakis, que marcou mais de seis décadas da arte portuguesa contemporânea e fez o "Retrato dos Críticos", morreu na quarta-feira em Lisboa, aos 89 anos, anunciou na quarta-feira a Galeria Fernando Santos, que representa o artista.

Em comunicado, a ministra da Cultura recorda um artista "com um percurso amplamente premiado e reconhecido".

"Como pintor, Nikias Skapinakis foi um mestre da cor e da forma, da geometria e das metáforas, da poesia visual e das linhas do corpo, matéria fundamental que trabalhava em obras que, pela sua importância simbólica, histórica, narrativa e visual, estão representadas nas grandes coleções de arte contemporânea nacionais, tanto públicas quanto privadas, com destaque para a Coleção de Arte Contemporânea do Estado", refere Graça Fonseca.

A governante acrescenta: o olhar pictórico do artista "sobre a cidade e as pessoas - e os artistas e intelectuais dentro delas - é exemplo de como, através da arte, podemos aprender a história dos nossos tempos".

Nikias Skapinakis

"Nas pinturas de Nikias Skapinakis, nos rostos e figuras que representam, anónimos ou não, está um pedaço de Portugal", aponta ainda.

De ascendência grega, Skapinakis nasceu em Lisboa, em 1931, frequentou o curso de Arquitetura, que abandonaria para se dedicar totalmente à pintura, que assumiu como "vocação, ofício e reflexão", como escreveu a historiadora de arte Raquel Henriques da Silva.

Além da pintura a óleo, como atividade dominante, dedicou-se à litografia, serigrafia e ilustração de livros.

Entre outras obras, ilustrou “Quando os Lobos Uivam”, de Aquilino Ribeiro (Livraria Bertrand, 1958), e “Andamento Holandês”, de Vitorino Nemésio (Imprensa Nacional, 1983).

É autor de um dos painéis concebidos para o café “A Brasileira do Chiado” (1971), em Lisboa.

Para a estação de Arroios, do metro de Lisboa, que se mantém em obras de ampliação, concebeu em 2005 o painel “Cortina Mirabolante”, que se junta aos originais de Maria Keil.

Em 2012, o Museu Coleção Berardo apresentou a exposição antológica “Presente e Passado, 2012-1950”, dedicada ao artista, no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

No ano seguinte, foi-lhe atribuído pela Sociedade Portuguesa de Autores o Prémio de Artes Visuais.

Em 2014, apresentou na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, a série de guaches Lago de Cobre e a série de desenhos Estudos de Intenção Transcendente. Ilustrou ainda a revista Colóquio Letras dedicada a Almada Negreiros.

Em 2017, apresentou no Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva, igualmente em Lisboa, a série desenvolvida a partir de 2014, "Paisagens Ocultas - Apologia da Pintura Pura".

Anteriormente, em 1985, o Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian, também em Lisboa, mostrou uma exposição antológica da sua pintura, completada com uma retrospetiva da obra gráfica e guaches na Sociedade Nacional de Belas Artes.

No passado mês de julho, a Galeria Fernando Santos, no Porto, inaugurou uma exposição de obras inéditas de Nikias Skapinakis, sobre o tema da paisagem, com o lançamento do livro "Nikias Skapinakis - paisagens [landscapes]", de Bernardo Pinto de Almeida, numa edição conjunta com a Documenta.

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