O percussionista, que constrói os próprios gongos e desenvolveu novos instrumentos para esta gravação de estúdio, edita o novo disco pelas 'etiquetas' Lovers & Lollypops e Holuzam, para já, nas plataformas digitais, antes de uma edição física em maio.

Pelas 18h00 de sexta-feira, na plataforma online da Lovers & Lollypops, o músico vai apresentar o disco ao vivo, num concerto por streaming que permite contornar as restrições trazidas pela pandemia de COVID-19, que 'ameaçaram' adiar a saída do disco.

Para as gravações de "Sun Oddly Quiet", "foi tudo mais ou menos 'customizado', tanto ao nível da percussão como dos metais", tudo "feito de propósito para o disco", que se distingue de um primeiro registo em nome próprio, datado de 2018, "sobretudo a nível de tempos rítmicos".

"[Queria] torná-lo mais complexo nos ritmos que criei, mas mais minimal e estático, em termos de toada geral do disco. (...) Ritmicamente, acho este ainda mais rico, os temas são mais complexos e demoraram mais tempo a criar", revela.

Em maio, sairá um EP com a participação do percussionista, desta feita em colaboração com o alemão Burnt Friedman, intitulado "Eurydike" em que Friedman partilha duas músicas com o português e outras duas com o também percussionista Jaki Liebezeit.

As sessões com o músico alemão acabaram por alterar as perspetivas de gravação do novo disco, confessa Pais Filipe. "Depois de ele ter vindo cá, as minhas ideias mudaram um bocado. Para melhor", atira.

Agora, cada faixa é mais longa e estática, e "foi um desafio" conseguir um equilíbrio entre essas duas características, mantendo o estilo habitual que o músico tem empregado na carreira a solo, à margem de integrar projetos como HHY & The Macumbas, CZN e Paisiel.

Em 2019, tocou em territórios da América Latina, África e Ásia, numa digressão que o "influenciou bastante".

"Investigo muito ritmos e timbres do Oriente e de África, e fui buscar um bocado disso tudo, é uma mistura disso tudo", conta.

Um sítio onde ainda não foi, acrescenta, é "o Médio Oriente", que influencia ritmos que vêm de países como "a Turquia, o Afeganistão, a Argélia ou o Irão", numa mistura de referências que vão dessas latitudes a géneros como a música eletrónica.

À margem das bandas e do trabalho a solo, João Pais Filipe tem colaborado, nos últimos anos, com vários músicos e bandas, como GNOD, com quem gravou um disco em 2019, além de participar numa faixa de "Lay Claim To The World as a Sphere of Your Own Agency", EP de 2020 de Jorge Coelho.

No currículo tem colaborações com vários outros músicos e bandas, de Black Bombaim a Evan Parker, Rafael Toral, Fritz Hauser e Marcello Magliocchi.

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