O Teatro Experimental de Cascais (TEC), que esta sexta-feira, 13 de novembro, completa 50 anos de atividade ininterrupta, estreia “Macbeth”, de William Shakespeare, com encenação de Carlos Avilez.

Em comunicado enviado à Lusa, Carlos Avilez afirma que a apresentação desta peça é “uma forma digna” de festejar o cinquentenário, reconhecendo que é um “texto denso”.

Esta peça - escreve Avilez -, é um “texto denso sobre o poder e a ambição, e insere-se na linha de textos apresentados por esta companhia ao longo destas décadas, de acordo com as suas linhas estéticas e as do encenador”.

Segundo Miguel Graça, do TEC, autor da versão que é levada a cena no Teatro Mirita Casimiro, no Monte Estoril, em Cascais, esta é “a obra mais negra de Shakespeare, a mais cruel”, já que “o retrato que o maior dramaturgo de sempre faz da humanidade é pintado a sangue e não a esperança”.

“No final, é o mal que prevalece”, remata a companhia onde já pontificaram atrizes como Mirita Casimiro, Maria Albergaria, Zita Duarte, Alina Vaz, Anna Paula ou Eunice Muñoz.

O encenador afirma que a peça do dramaturgo inglês tem “uma produção exigente e um elenco reforçado”.

“Aos atores veteranos do TEC - Teresa Côrte-Real, Luiz Rizo e Sérgio Silva – pretendíamos juntar atores de exceção para os principais papéis: Marco d’Almeida e Flávia Gusmão”, que regressam ao palco do Monte Estoril.

Do elenco fazem parte também ex-alunos da Escola Profissional de Teatro de Cascais, “importantes para esta casa, e que de uma forma simbólica juntar-se-iam a este acontecimento”, realça Avilez.

O encenador destaca a participação da atriz Paula Lobo Antunes, no papel de Lady MacDuff, Cláudia Semedo, Lídia Muñoz e Raquel Oliveira, nos papéis das Bruxas, e ainda Pedro Caeiro, como “Banquo”, e João Jesus, distinguido, este ano, com o Prémio Sophia de Melhor Ator, da Academia Portuguesa de Cinema, na personagem Malcolm.

“Atores com percursos profissionais exemplares” e que “dão garantia de qualidade”, atesta Carlos Avilez.

Miguel Graça recorda que “Macbeth” é apontado como a maior tragédia de William Shakespeare.

“O rótulo de ‘peça maldita’, graças aos muitos incidentes que ao longo dos anos têm povoado a apresentação dos espetáculos - morte de atores em cena, incêndio de teatros, [como aconteceu em 1964, com o Teatro Nacional D. Maria II, em Lisboa] –, ajudou à criação do mito da tragédia, uma história simples e crua, que relata a ascensão e queda do casal Macbeth, que decide conscientemente assassinar o rei Duncan, legítimo soberano da Escócia, para ascender ao poder”, escreve Miguel Graça.

Segundo Graça, a tragédia de Shakespeare, que foi apresentada pela primeira vez em abril de 1611, “é na verdade um estudo sobre o mal e a ambição, uma viagem pela possibilidade da não-consequência das nossas ações, pela impunidade que nos levaria de forma inevitável a cometer os crimes mais horrendos, se tivéssemos como garantia a recompensa e não a punição”.