"Os miúdos têm todas as novas tecnologias, como nós todos, mas isto não quer dizer que não consigam gostar de ler", afirmou aos jornalistas.

A escritora falava depois de ter assistido à receção que algumas centenas de crianças do centro escolar de Penafiel que lhe proporcionaram números de música e danças, o que constituiu o momento de abertura do festival literário que este ano, até domingo, é consagrado a Alice Vieira.

A participação dos mais novos naquela atividade é sinal de que, afinal, as crianças se interessam pela leitura, assinalou, prosseguindo: "Ver os miúdos todos interessados nisto e a participar acho que é a maior homenagem. É muito engraçado vê-los contentes e felizes e virem falar comigo".

Brincando com o que via à sua volta, a autora disse estar ainda "em estado de choque", com a receção que tinha sido preparada pela organização, que aproveitou para enaltecer, porque, sublinhou, "normalmente ninguém se lembra de fazer as homenagens aos autores que escrevem para os mais novos".

Alice Vieira falou do que sentiu quando chegou hoje a Penafiel e percebeu que as ruas estavam recheadas de elementos que promoviam a sua vida e obra.

"Mandei uma mensagem à minha filha a dizer-lhe que estava a tropeçar em mim, porque, por toda a porta onde eu andava, havia fotografias minhas. É estranho e muito engraçado, mas eu gosto muito", afirmou, sorrindo, enquanto elogiava o trabalho que Penafiel tem feito em prol da literatura através do Escritaria:

"As cidades estão todas a mexer e a ter coisas culturais. Numa altura em que se diz que os miúdos não se interessam nada por estas coisas, é muito gratificante ver que, afinal, isso não é assim tão verdade".

Hoje, frisou ainda, o cenário é muito melhor do que há 40 anos quando iniciava a sua carreira, destacando a facilidade de acesso das crianças e dos jovens aos livros e a boa qualidade das bibliotecas espalhadas pelo país, "que agora estão muito ativas", incluindo a de Penafiel onde disse já ter estado.

Uma das novidades da edição deste ano do Escritaria é o facto de os alunos do centro escolar de Penafiel, do quarto ano, ter escrito e ilustrado um conto, que vai ser apresentado no festival, no sábado à noite, dedicado a Alice Vieira.

"Estou ansiosa por ver o que elas [crianças] escreveram para mim", comentou.

Alice Vieira também elogiou a feira do livro do Escritaria, no centro da cidade, outra novidade deste ano, onde encontrou dezenas de obras de sua autoria e dos oito escritores que foram homenageados nas anteriores edições daquele festival literário.

Como tem acontecido noutros anos, ao autor homenageado vão ser dedicados vários momentos de consagração, nos quatro dias do festival, até domingo, destacando-se as conferências, com inúmeros convidados do mundo da literatura, para além de exposições, teatro de rua, momentos musicais e declamação de textos.

Vários elementos de arte de rua preenchem o centro histórico, para promover a vida e a obra de Alice Vieira.

Desde a primeira edição do Escritaria, já foram homenageados Urbano Tavares Rodrigues, José Saramago, Agustina Bessa-Luís, Mia Couto, António Lobo Antunes, Mário de Carvalho, Lídia Jorge e Mário Cláudio.

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