A iniciativa terá lugar pelas 18:00, na Biblioteca Passos Manuel, a seguir à sessão plenária, com a apresentação do livro “O Dever de Deslumbrar – Biografia de Natália Correia”, de autoria de Filipa Martins, editado pela Contraponto.

Intitulada “Vida e Obra de Natália Correia”, a sessão acontecerá no quadro das comemorações do centenário da escritora e antiga deputada (1980-1991), e será presidida pelo presidente da Assembleia da República, Augusto Santos Silva.

Estão previstas intervenções de Filipa Martins, biógrafa de Natália Correia, de Helena Roseta, que foi muito próxima da poetisa e apresentará a biografia, e ainda de Fernando Negrão, em representação da bancada parlamentar do PSD.

“O Dever de Deslumbrar”, que foi publicado a 16 de março, é uma biografia que, tanto ou mais que a vida da escritora, traça o retrato do Portugal daquela época.

Como destacou o jornalista João Gobern, por ocasião do pré-lançamento da biografia, ao ler-se esta obra, percebe-se até que ponto “se estendia a presença tentacular da biografada”.

“O dever de deslumbrar” foi publicado no ano do centenário do nascimento de Natália Correia, que se assinala a 13 de setembro, e dos 30 anos da sua morte, ocorrida a 16 de março de 1993, e permite ficar a conhecer a realidade do país nos seus 70 anos de vida.

“Mesmo os que têm uma secreta embirração podem partir para esta biografia quase como um dicionário histórico sobre como foi Portugal durante a vida de Natália Correia”, destacou o jornalista, apontando que o livro aborda a obra da autora, “uma dimensão politica extraordinária, a dimensão sentimental e o seu ‘toca e foge’ com a religião”.

Filipa Martins recordou, na altura, que Natália Correia foi “a autora mais censurada do Estado Novo”, uma das vozes mais criticas da ditadura e, depois, da entrada de Portugal na União Europeia, acrescentando que “o pensamento dela era premonitório”.

O seu feitio intempestivo era temido, inclusivamente pelos outros deputados, destacou Filipa Martins, assinalando que Natália Correia “era insubordinada” e que “os parlamentares é que tiveram de se adaptar” a ela.

“Não cumpria os tempos, fumava no parlamento, mesmo depois de ser proibido, interpelava os parlamentares a pôr gotas nos olhos, convidou a Cicciolina para ir ao parlamento e escreveu-lhe um poema, chegava sempre atrasada à Assembleia da República”, lembrou, sublinhando que Natália Correia “tinha a sua carteira de valores”.

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