A loucura que transformou as salas de cinema em autênticas sessões de karaoke das canções dos ABBA e depois se estendeu ao vídeo está de volta: dez anos após "Mamma Mia!" chega esta semana a improvável sequela,  "Mamma Mia! Here We Go Again".

Adaptação de um musical que se tornou um fenómeno em Londres em 1999 e depois na Broadway em 2001, o primeiro filme também ficou célebre por juntar vários atores a em figuras muito diferentes daquelas a que estávamos habituados a vê-los: Meryl Streep, Colin Firth, Pierce Brosnan, Amanda Seyfried, Stellan Skarsgard, Christine Baranski, Dominic Cooper e Julie Walters.

A história passava-se na ilha grega Kalokairi, onde uma jovem noiva (Seyfried) queria saber quem era o verdadeiro pai antes do grande dia e por isso convidava em segredo os três amores (Brosnan, Firth Skarsgard) do passado da mãe (Streep) para o casamento.

Tudo era pretexto, claro, para cantar as músicas dos ABBA. Fazia sentido no teatro, mas parecia ridículo para um filme. O ator Rupert Everett, por exemplo, achou que o seu grande amigo Colin Firth ia cometer suicídio artístico.

Foi a presença de Streep, que tinha levado os filhos e os amigos a ver o espectáculo na Broadway alguns dias após o 11 de setembro, vencedora de dois Óscares e que vinha de "O Diabo Veste Prada" (2006), o maior sucesso da sua carreira, que "convenceu" outros atores a juntarem-se ao projeto e lhe deu "credibilidade". A primeira foto do filme com a atriz tornou-se viral quando o termo ainda nem existia.

A estreia foi no mesmo fim de semana da estreia de "O Cavaleiro das Trevas", de Christopher Nolan com Christian Bale e Heath Ledger, e a contra-programação resultou em cheio e o sucesso durou meses: além de uns impressionantes 144 milhões de dólares nos EUA, o sucesso ainda foi maior no estrangeiro, onde é forte a obsessão pelo grupo sueco (em Portugal foi visto por 851.681 espectadores e só tem à sua frente "Avatar" e "Mínimos" na lista dos mais vistos desde 2004).

No total, as receitas foram de 615 milhões contra um orçamento de apenas 52. Portanto, foi um "blockbuster" e até o maior sucesso de bilheteira em imagem real dirigido por uma mulher (Phyllida Lloyd) até à chegada de  "Mulher-Maravilha" no verão de 2017.

Streep com a realizadora Phyllida Lloyd

Perante isto, o estúdio Universal confirmou com naturalidade a intenção de avançar para uma sequela, notando que havia muitas outras canções dos ABBA para aproveitar. Avisou também que ia ia levar algum tempo.

Os anos passaram e todos seguiram com as carreiras: Streep ganhou o terceiro Óscar com "A Dama de Ferro" e colecionou mais algumas nomeações e outras homenagens; Colin Firth ganhou finalmente a estatueta com "O Discurso do Rei"; Christine Baranski seguiu logo para a série "The Good Wife"; Stellan Skarsgard entrou no mundo da Marvel; Amanda Seyfried tornou-se a protagonista de filmes durante alguns anos; Dominic Cooper brilha em "Preacher".

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Quando já ninguém esperava, "Mamma Mia! Here We Go Again" [literalmente "Mamma Mia: Aqui Vamos Nós Outra Vez!"] foi confirmado oficialmente a 19 de maio de 2017, regressamndo Benny Andersson e Björn Ulvaeus dos ABBA como supervisores da música e produtores executivos.

De volta estavam também todos os atores, pormenor invulgar e que renova a "credibilidade" artística para além da evidente aposta em repetir o sucesso nas bilheteiras. O que não impediu que, tal como da primeira vez, a novidade tenha sido recebida inicialmente com desconfiança.

"A sério, quando disseram 'Vamos fazer 'Mamma Mia 2', a minha reação foi 'Isso vai ser péssimo'", admitiu Amanda Seyfried à revista Entertainment Weekly.

Julie Walters também contou à edição britânica da Good Housekeeping que "não percebia como era possível resultar e o que podiam fazer connosco" e que a "primeira reação quando o meu agente disse que estavam a fazer o 'Mamma Mia 2' foi 'oh, meu Deus, não, vai ser horrível'".

Ambas mudaram de ideias depois de lerem o argumento e garantem agora que a sequela "é melhor do que o original". Seyfried acrescenta mesmo que é "porque existe uma profundidade dele que apenas surge com o tempo".

Talvez porque a grande novidade seja que o novo filme é tanto uma sequela como uma prequela que revela como os relacionamentos do passado têm influência no presente: nos nossos dias, "cinco anos" após o primeiro filme, Sophie (Seyfried) está grávida e a renovar o hotel da mãe, mas a história recua a 1979 e a Donna, quando esta conheceu aqueles que seriam os três possíveis pais da sua filha, tornou-se dona da Villa e juntou o trio Donna & the Dynamos.

É aqui que brilham as grandes novidades: Lily James ("Downton Abbey", “Cinderela”) herda a personagem de Streep e Jessica Keenan Wynn e Alexa Davies as de Christine Baranski e Julie Walters. Entre "eles", Jeremy Irvine faz as vezes de Pierce Brosnan, Hugh Skinner as de Colin Firth e Josh Dylan é o "novo"  Stellan Skarsgard.

Outras novidades, mas no "presente", são Andy Garcia como o gerente da "villa" e principalmente a vencedora do Óscar Cher, que não aparecia à frente das câmaras desde "Burlesque" em 2010, como a avó de Sophie e mãe de Donna (apesar de ter apenas mais três anos de idade do que Streep). Descrita pelos produtores como "a arma secreta" do filme, a atriz e cantora gostou tanto da experiência de interpretar 'Fernando' que decidiu lançar um novo álbum com canções dos ABBA.

A loucura ABBA está de volta aos cinemas a partir desta quinta-feira.

Trailer.

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