Dois anos depois de ter sido distinguido com a curta-metragem "Thursday Night", Gonçalo Almeida regressa ao festival de cinema de terror com um filme que não segue propriamente a lógica deste género cinematográfico, disse à agência Lusa.

"Não acho que a audiência de terror mais clássico seja uma boa audiência para os filmes que tenho estado a fazer, porque causa desilusão", explicou entre risos.

"Faz-me companhia" é sobre uma relação entre duas mulheres, num fim de semana numa casa no Alentejo e que é desassossegado por causa de acontecimentos estranhos numa piscina.

"Queria situar a história numa piscina como metáfora da relação, porque as pessoas nunca estão no mesmo sítio. Ou seja, quem está dentro de água não vê nem ouve o que se passa fora dela", afirmou Gonçalo Almeida.

O realizador, de 33 anos, explicou que avançou para este filme depois de ter vivido cinco anos no Reino Unido, onde estudou cinema, e depois de ter terminado uma relação.

As duas mulheres da história, protagonizada pelas atrizes Cleia Almeida e Filipa Areosa, representam facetas diferentes do próprio realizador, que diz não ter interesse em filmar homens.

A propósito da estreia de "Faz-me companhia" no MOTELX, Gonçalo Almeida disse que sempre quis fazer uma "história de mistério", mas nunca teve interesse em seguir um filme de terror, 'slasher', com psicopatas ou zombies.

"O que me interessa no cinema é representar a história visualmente e não com palavras. [...] Fico sempre um bocado entre uma coisa e outra. Tem elementos de terror, mas não segue a lógica. O cinema de terror é o que expressa melhor uma ideia. Usa os elementos todos para representar um sentimento de forma visual", disse.

Gonçalo Almeida nasceu em Santiago do Cacém, estudou Design Gráfico e, influenciado por um professor, acabou por se encaminhar para cinema, tendo estudado no Reino Unido.

Além de "Faz-me companhia", Gonçalo Almeida já assinou várias curtas-metragens - "Thursday Night" foi exibido em Sundance, nos Estados Unidos -, vídeos musicais e prepara um novo filme que, sem adiantar mais pormenores, pretende ter uma ligação mais direta e interdependente entre música e imagem em movimento.

"Faz-me companhia" está em competição para o prémio MOTELX – Melhor Longa de Terror Europeia/'Méliès d’Argent', que é atribuído em conjunto com a Federação Europeia de Festivais de Cinema Fantástico.

Além do filme de Gonçalo Almeida, estão indicados “All the Gods in the Sky”, de Quarxx (França), “Extra Ordinary”, de Mike Ahern e Enda Loughman (Irlanda/Bélgica), “Finale”, de Soren Juul Petersen (Dinamarca), “Get In”, de Olivier Abbou (França), “A Good Woman is Hard to Find”, de Abner Pastoll (Reino Unido/Bélgica/Irlanda), “The Hole in the Ground”, de Lee Cronin (Reino Unido), e “Why Don’t You Just Die!”, de Kirill Sokolov (Rússia).

O 13.º MOTELX começa na terça-feira e termina no dia 15.

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