«Acho que [o que o filme mostra] é pior do que aquilo que é», afirmou
Paul Giamatti no Centro de Congressos do Estoril, durante uma conversa com o público, depois da exibição na noite de sábado de
«Nos Idos de Março», de
George Clooney, no âmbito do
Lisbon & Estoril Film Festival.

O ator contou que quando viu o filme disse ao realizador, o também ator George Cloooney: «isto não está mau o suficiente, estas pessoas são piores». «E acho que são de facto», afirmou.

O argumento de
«Nos Idos de Março», centra-se nos bastidores de uma campanha eleitoral das eleições primárias, no partido Democrata, das presidenciais dos Estados Unidos da América (EUA).

Para
Paul Giamatti, o filme traça um retrato «muito realista do que se passa» na realidade.

«Nos EUA, muitas críticas [ao filme] referiram 'isto é maçador. Porque é que estamos a ver estes imbecis a fazerem de imbecis? Todos sabemos que eles são assim'. Por um lado, [o filme] é tão realista que as pessoas pensaram 'porquê? Porquê mostrar isto?'», disse.

Mas, segundo o ator, o filme extravasa a temática da política. «Quando li o argumento a primeira vez e quando vi o filme, concluí que [a história] podia passar-se em muitos outros ambientes», referiu.

O ator considera que fazendo um estudo das personagens se percebe que o filme é «sobre a entrada no mundo dos adultos».

«E é um retrato muito negro do que é alguém tornar-se num adulto. Porque os adultos sou eu, o Phil [
Phillip Seymour Hoffman] e o [George] Clooney e as crianças são ele [
Ryan Gosling] e ela [
Evan Rachel Wood]. Ela morre e ele torna-se pior do que eu», defendeu, acrescentando que «crescer é muito mau».

Visivelmente descontraído, Paul Giamatti foi respondendo a várias perguntas sobre como foi trabalhar com George Clooney, como se prepara para as personagens ou qual o papel que mais gostou de desempenhar ao longo da carreira.

Do cinema português assumiu saber muito pouco. «Ouvi dizer que são ótimos [os filmes portugueses]», disse, para logo de seguida acrescentar que é «um ignorante». «Não ouvi falar muito é a resposta honesta, mas é um problema meu que sou ignorante», assumiu.

Quando se fala em vinhos nacionais, o conhecimento é outro. «O vinho é muito bom. Se os filmes forem como o vinho vão conquistar o mundo num ápice», afirmou.

O ator arrancou por diversas vezes gargalhadas da plateia com piadas e tiradas irónicas sobre assuntos mais e menos sérios.

Na cerca de uma hora que esteve à conversa com o público, houve também espaço para falar da crise económica mundial, e de como esta está a afetar Hollywood.

«Fazem-se muito menos filmes. Eu já produzi pequenos filmes independentes e já não podes fazê-los, se os fizeres tens que ter o George Clooney. Agora só fazem filmes de robots e comédias de grande orçamento. É isso que podem esperar da América», disse.

Contudo, Paul Giamatti refere também «as novas tecnologias como um dos fatores para que se façam cada vez menos filmes.

O ator irá participar hoje numa outra conversa com o público, também no Centro de Congressos do Estoril, mas desta vez acompanhado da atriz
Sarah Gadon e do realizador
David Cronenberg, com quem trabalhou em
«Cosmopolis».

A organização do festival anunciou que antes da conversa serão reveladas em estreia mundial as primeiras imagens do filme, co-produzido por Paulo Branco, e que deverá estrear no próximo ano.

SAPO/Lusa

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