A oferta do chamado “Training Ground” sempre procurou abordar temas que marcam a atualidade mundial da indústria cinematográfica e Filipe Pereira explicou à Lusa que, este ano, até pelo contexto ainda relacionado com a pandemia de COVID-19, o evento não podia evitar a discussão sobre as conclusões de um recente estudo britânico sobre perturbações mentais como ansiedade e depressão entre artistas e técnicos do audiovisual.

“A saúde mental é um tema algo tabu no mundo do cinema, mas a pouca informação que existe sobre o assunto aponta para dados desastrosos, o que não é de estranhar numa indústria de grandes incertezas, que funciona num contexto laboral muito difícil, está sujeita a muitas pressões e tanto envolve períodos de trabalho muito intenso como longas fases sem atividade”, declara Filipe Pereira à Lusa.

Defendendo que um cenário negro “já se adivinhava à distância”, o diretor do FEST diz que “é altura de falar sobre o problema abertamente” e, para isso, convidou para uma conferência em Espinho a médica britânica Tamara Karni Cohen, membro do comité da BAPAM (sigla inglesa para Associação Britânica de Medicina para as Artes Performativas) e diretora de uma clínica gratuita em Londres para profissionais e estudantes das indústrias criativas.

No mesmo sentido, o Training Ground de 2021 também vai integrar uma ‘masterclass’ sobre o impacto ambiental da produção de cinema e audiovisual, “outra área em que a indústria só pensa no resultado e não se preocupa com o desperdício que deixa pelo meio, até lá chegar”.

Para refletir sobre o tema foi convidada Dörte Schneider, assistente de realização alemã que, radicada em Portugal, abordará o processo de “filmagem verde” e sustentável em todos os estágios da produção. “Desde a fase inicial da escrita do argumento até à pós-produção, muitos ajustes podem fazer-se e, com um uso mais eficiente e consciente dos recursos disponíveis, podem até obter-se poupanças financeiras”, nota Filipe Pereira.

Um terceiro tema em destaque no programa formativo do FEST é a interpretação de cenas de intimidade e, para isso, a discussão foi confiada a quatro especialistas: Josh Okpala, coordenador do trabalho de atores nesse tipo de cenas; Nancy Bishop, diretora de ‘casting’; Caprice Crawford, diretora da agência Crawford Talents; e Chris Simon, ator e produtor.

Para Filipe Pereira, o debate em torno da gravação de cenas de nudez e sexualidade é particularmente importante para garantir “o respeito pela intimidade dos atores na era pós-MeToo, quando é preciso saber gerir essas situações com muito cuidado e ter noção de quais são os limites”.

A 17.ª edição do FEST tem início segunda-feira e decorre até dia 11 de outubro, com sessões competitivas, retrospetivas e ‘masterclasses’, tanto em sala como através da internet. Do seu programa de formação constam ainda sessões por profissionais como os escritores e argumentistas Irvine Welsh e Tony Grisoni, a realizadora catalã Isabel Coixet, o diretor de fotografia Tetsuo Nagata, o editor de som Eddy Joseph, os produtores de cinema virtual Nancy Xu e Johannes Wilkes, e o artista visual Evgeny Kalachikhin.

O Training Ground prevê ainda um “Pitching Forum” em formato online, no qual cada participante inscrito terá cinco minutos para apresentar o seu projeto de cinema a um painel alargado de peritos internacionais, com a possibilidade de obter o seu apoio para a respetiva concretização.

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