Parte da equipa de "Last Men in Aleppo" não vai conseguir ir à cerimónia dos Óscares a 4 de março, onde o filme concorre na categoria de Melhor Documentário.

O governo da Síria recusou acelerar o processo para obter o visto ao produtor Kareem Abeed e ao fundador dos Capacetes Brancos Mahmoud Al-Hattar, retratado no filme, que é o primeiro de sempre a estar na corrida aos Óscares por aquele país.

A equipa de marketing submeteu o pedido assim que foram conhecidas as nomeações a 23 de janeiro, mas as autoridades marcaram a entrevista que faz parte do processo para 2 de março.

Mesmo que seja atribuído nessa data, é pouco provável que consigam a seguir a autorização do governo norte-americano por causa da lei aprovada pelo presidente Donald Trump que atrasa a entrada de cidadãos de vários países, incluindo a Síria.

"A não ser que exista um milagre, ele não vai estar nos Óscares comigo", disse o realizador Feras Fayyad, que também é sírio, mas vive agora entra a Califórnia e Copenhaga, sobre o produtor Kareem Abeed.

"Somos artistas e apenas queremos partilhar as nossas histórias e nada mais. É muito triste que ele não dá ter a oportunidade de partilhar a sua", acrescentou ainda ao The Hollywood Reporter (THR).

"Last Men in Aleppo" acompanha Khaled, Mahmoud e Subhi, voluntários nos capacetes brancos para tentar salvar as vidas de centenas de vítimas de uma cidade cercada durante a guerra civil na Síria.

O movimento diz ter salvo mais de 99 mil vítimas ao longo de sete anos de guerra civil e esteve na lista de finalistas a Prémio Nobel da Paz de 2016, mas para o presidente Bashar al-Assad  e os seus apoiantes é uma fachada da Al-Qaeda.

Em declarações ainda ao THR, Mahmoud Al-Hattar também disse estar desiludido por não ter a oportunidade de usar a visibilidade dos Óscares para condenar a "Rússia, Assad e todos os que representam as autoridades e fornecem armas para reprimir o povo sírio".