E apesar do reconhecimento ter chegado nos últimos cinco anos, a verdade é que já há mais de quinze que Sharon e os músicos dos Dap-Kings estão juntos. O colectivo lançou “Dap Dippin’ with Sharon Jones and the Dap-Kings” em 2001, “Naturally” em 2005, “100 Days, 100 Nights” em 2007 e o seu último registo de estúdio é “I Learned the Hard Way”, que fez a crítica descobrir que, 35 anos depois, o funk dos anos setenta está de boa saúde e recomenda-se.

Os Dap-Kings, banda residente da editora Daptone Records, são conhecidos por recusarem empregar tecnologias digitais nas suas gravações, preferindo o “feeling” dos instrumentos originais e analógicos dos anos setenta. É esse som inconfundível, a que se junta a voz (e alma) única de Sharon Jones, que lhes tem feito chegar convites de colaborações com músicos de todos os estilos.

Os Dap- Kings participaram em metade do álbum “Back to Black” de Amy Winehouse, em 2006. Sharon Shones já gravou com David Byrne, Matt Berninger (The National), Rufus Wainwright, Lou Reed e até Michael Bublé. Já abriu concertos para Stevie Wonder e até participou no filme “The Great Debaters” (2007) com Denzel Washington, contribuindo também para a banda sonora.

Aos 55 anos, Sharon Jones é a estrela da companhia. Sharon não se limita a cantar soul, ela é o soul. Nascida no Sul dos EUA, na Georgia, a família mudou-se para Nova Iorque quando ela tinha apenas 3 anos. Cantou em pequenos coros de igreja e na adolescência fez coros para algumas bandas de funk e disco. Aos 20 anos arruinaram-lhe os sonhos: as editoras discográficas diziam-lhe que era demasiado baixinha, demasiado gorda, demasiado negra. Sem contrato para gravar um disco, Sharon arregaçou as mangas. Trabalhou como guarda prisional na prisão de Rykers Island, em Nova Iorque, e como guarda de veículos blindados para a Wells Fargo Bank.

Mas Sharon estava reservada para algo mais. Ela iria ser a mulher que um dia foi guarda prisional mas que agora corre o mundo a espalhar o gospel e soul que emanam dela. A mudança chegou aos 40 anos. Foi em 1996 que Jones se reencontrou com a música quando dois produtores da Desco Records se preparavam para gravar um disco com os Lee Fields. Nessa altura os Dap-Kings eram os Soul Providers e tinham uma participação no projecto. Sharon Jones foi a voz de apoio, e assim finalmente a sua carreira começava a despontar.

Aos 51 anos, novo impulso: o produtor de Amy Winehouse, Mark Ronson, ouviu os discos de Jones e rumou a Nova Iorque para contratar os Dap- Kings para juntos participarem no álbum de Amy Winehouse. O nome dos Dap-Kings e de Sharon Jones começou a ganhar força. Os espectáculos ao vivo fizeram o resto.

Mais do que revivalistas do funk e soul do tempo da Motown, James Brown ou Aretha Franklin, Sharon Jones e os Dap-Kings nunca abriram mão do estilo de música que os apaixona. Eles são “the real thing”, o verdadeiro soul, o verdadeiro funk, o verdadeiro R&B. São-no demasiado. E isso é bom.

Em 2010, quando lançam “I Learned the Hard Way”, já tinham corrido meio mundo e arrebatado audiências. O disco mantém a sonoridade vintage que os caracteriza e tal como os anteriores utiliza o mínimo de tecnologia possível. De volta às raízes, com Sharon Jones e os Dap-Kings. Há um ano, no festival Super Bock Super Rock, Sharon surpreendeu. Chegou, viu e venceu. No Cool Jazz Fest esperamos por Sharon e os seus senhores para lhe dizer “bem-vinda de novo”.

Sharon Jones & The Dap-Kings actuam dia 2 de Julho na Casa da Música, no Porto, e dia 4 de Julho no Parque Marechal Carmona, em Cascais, no Cool Jazz Fest, com primeira partedo Cais do Sodré Funk Connection.

Texto e fotos @Vera Moutinho

Videoclip de "I Learned the Hard Way":

Videoclip de "If You Call":

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