Francisco Moita Flores disse à agência Lusa que o corpo de José Niza poderá chegar ainda ao fim da tarde de hoje a Santarém, realizando-se as cerimónias fúnebres no edifício dos Paços do Concelho. A filha de José Niza, Cristina Mendes, disse à Lusa não saber ainda com precisão qual foi a causa da morte do pai, já que foi tudo «muito rápido».

José Niza foi internado terça-feira no Hospital de Santa Maria em Lisboa devido a insuficiência respiratória, tendo sido detetadas «outras complicações», acabando por falecer na madrugada de hoje devido a uma paragem cardiorrespiratória, disse.

A família não sabe ainda quando se realizará o funeral, mas aceitou a proposta feita pelo presidente da Câmara Municipal de Santarém para que as exéquias se realizem no edifício dos Paços do Concelho, disse.

José Niza foi durante vários anos eleito deputado pelo Partido Socialista pelo círculo eleitoral de Santarém, cidade onde, durante quase 20 anos, pertenceu à Assembleia Municipal, órgão que chegou a presidir.

O médico, que se especializou em psiquiatria, tinha praticamente concluído um diário feito a partir das «milhares de páginas» das cartas que escreveu à mulher durante os dois anos em que foi enviado para a guerra colonial em Angola (entre 1969 e 1971). Segundo a filha, esse livro estava em fase de revisão e vai ser publicado.

Em Abril de 2008, Niza publicou o seu primeiro livro, «Poemas da Guerra (Angola 1969-1971)», sob a chancela do semanário regional «O Mirante», tendo na altura confessado à Lusa que, com o tempo que a aposentação lhe deixara disponível para mexer nos papéis, poderia finalmente começar a dar à estampa muitos dos seus projetos.

Moita Flores lamenta perda de amigo, um homem «fraterno e humilde»

O presidente da Câmara Municipal de Santarém confessou hoje à Agência Lusa a «sensação de perda muito grande» sentida com a morte do poeta, músico, político e médico José Niza. «Era um homem que admirava muito, por quem tinha uma grande amizade, um homem fraterno e humilde. Tinha tanto de genial como de humilde. É uma sensação de perda muito grande», disse Francisco Moita Flores à Lusa.

Moita Flores recordou a amizade «de há muitos anos», iniciada em Lisboa e reencontrada em Santarém depois de assumir os destinos da autarquia, sublinhando que, apesar das diferenças políticas, nunca houve qualquer «rivalidade política» entre ambos. Moita Flores colocou no seu blogue, Projétil, duas cartas a José Niza, uma escrita quinta feira, quando soube do seu internamento num hospital em Lisboa, e outra, de despedida, hoje, quando soube da sua morte.

SAPO/Lusa

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