Talento e qualidade musical à parte, há uma coisa que músicos, bons e maus, profissionais e amadores, jamais deveriam fazer: desrespeitar o seu público. Começar um concerto uma hora e 15 minutos após a hora marcada não é cool, é apenas falta de educação. Principalmente, quando se está de pé, numa sala sem as condições mínimas – o ar condicionado desligado, pessoas a fumar, tudo ao molho. Tudo isto – atraso, calor – é feito com o objetivo único de levar o público a consumir bebidas, mas, quando até o próprio músico precisa de pedir três vezes água – quando esta já devia estar em palco, antes do concerto começar – e a sua necessidade é satisfeita por uma pessoa do público, aí já estamos perante um caso de má gestão... O Plano B esteve muito mal na organização do concerto quando, até na abertura, nem a lista de acreditações estava disponível. Mas adiante.

Fachada – que agora perdeu o B – quis apresentar algumas das canções novas que anda a compilar, misturadas com alguns dos seus temas mais conhecidos.Sobre as novidades, há uns ritmos africanos e dançáveis à mistura, bons para dar um pezinho de dança e abanar o rabo, a remeter para o seu álbum ‘Criôlo’.

Se, no início, Fachada fez uma ligeira incursão por alguns dos temas mais conhecidos, como ‘A Casa do Manel’, ‘Estar à Espera ou Procurar’, ‘Quem Quer Fumar com o B Fachada’ ou ‘É Normal’, intervalados por algumas piadas – “sei o nome de todos os que aqui estão, como as freiras” –, alguns agradecimentos – “tinha saudades de aqui estar, de tocar, de ouvir música acompanhado, que é diferente de ouvir música sozinho” – e com algumas conversas – “não sei o que tocar, o que é que querem ouvir?” –, depois fez uma apresentação dos novos temas.
“Estou aqui para cantar algumas das novas canções e esta é a primeira, chama-se ‘Pifarinho’, mas antes queria uma aguinha”, pede o músico. O ar continua irrespirável e há pessoas a deixarem a sala, por se sentirem mal. Parece que o plano do Plano B de fomentar o consumo de bebidas só leva as pessoas a saírem de vez. Os fãs, mesmo com calor, não arredam pé da sala, por isso, não parece uma boa ideia. “São os maiores”, continua Fachada, que volta a pedir água - “E aguinha aqui para o patrão?” - e que volta a ser ignorado pela organização. Vale-lhe um membro da assistência para lhe dar a bendita água.

“A próxima chama-se ‘Cruz’, uma canção que começa de forma errada, para prontamente ser corrigida pelo músico, que admite o erro: “Agora sim, karaoke à antiga.”‘Um Fandango Ensaiadinho’ ‘Ovelhinha’ e ‘Dá Música à Bófia’ – estaúltima inspirada nos acontecimentos junto à Assembleia da República, quando os polícias arremeteram contra os manifestantes – são os temas que ficam para o final desta apresentação de novidades.

Depois foi o regresso às mais conhecidas: ‘Não Pratico Habilidades’ ‘Afro-Xula’ e ‘Agosto’, esta última criada durante umas férias no Porto, em casa de amigos, quando um deles afirmou que em agosto tudo é diferente’. ‘Mané- Mané’ e ‘To-Zé’ são os temas finais, satisfazendo alguns dos pedidos do público.

“Muito obrigada por terem vindo. Mais do que uma honra, é um prazer, este é meu alimento”, disse no fim.A fechar, e depois de um “encore constrangedor”, como Fachada referiu, uma vez que não chegou a sair de palco, deixou o belíssimo ‘Só Te Falta Seres Mulher’. Apesar de o público querer mais, assim que o músico deixou o palco, todos largaram em debandada, à procura do ar fresco. Mas a noite lá fora, já perto da uma da manhã, só acentuava mais o calor.

Texto: Helena Ales Pereira

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