Incontornável nome da música folk e, mais tarde, também do jazz, desde os anos 60 à primeira década deste século, Joni Mitchell é uma referência para muitos dos atuais compositores musicais e, por isso, criar um espetáculo que refletisse esta influência musical era perfeito dentro do conceito deste festival. “A ideia da homenagem foi da Carmo Cruz, da Uguru, e da Amélia Muge, porque elas sempre tiveram uma grande admiração por esta cantora, e criar uma homenagem à Joni Mitchell fazia todo o sentido dentro do âmbito deste festival, que é sobre cantautores”, explica António Cunha, programador do Misty Fest.

“A Carmo disse mata e eu disse esfola!”, conta Amélia Muge, para quem o trabalho que os músicos fazem é, em última análise, também uma forma de homenagem, porque “o que somos tem muito a ver com o que escutamos”. A cantora ficou responsável pela seleção das canções e pelo guião do espetáculo, que terá a duração de cerca de uma hora e meia; enquanto Carmo Cruz fez a escolha das cantoras a integrassem o espetáculo.“Joni Mitchell é única, porque atravessou toda uma série de gerações – ela gravou o primeiro disco em 1968 e o último em 2007, e poderá gravar mais. As canções dela têm textos fabulosos e ligam toda a parte sonora a um mundo visual e plástico. Depois, Joni Mitchell surgiu numa altura de contestação e deu a cara de uma nova forma de estar na música, de cantar”, acrescenta ainda Amélia Muge.

Aline Frazão, uma cantora que vem de uma “escola mais quente”, como ela própria refere, disse ao palco Principal que, desde o convite, passou a ouvir melhor Joni Mitchell e, inclusive, a incluí-la nas suas playlists. “Gosto da forma como ela compõe, da métrica dela”.

Márcia, outra das convidadas, refere o álbum “Travelogue” (2002) como um dos seus vícios musicais. “Gosto muito da Joni Mitchell e, por isso, fazia todo o sentido aceitar este convite. A escolha de cantoras com diferentes experiências não só enriquece o espetáculo, como também mostra que o trabalho da Joni Mitchell é muito transversal”. “River” é um dos temas que Márcia irá cantar, neste caso em conjunto com Luísa Sobral.

Assim como Márcia, Fábia Rebordão gosta da fase mais madura de Joni Mitchell. “A voz tem mais grão, é mais grave, quase negra”. Na voz da fadista, vamos poder escutar “Coyote”. Esta cantora vai cantar um tema “num registo diferente do que canto habitualmente, uma vez que é esta é uma canção mais blues, rock...”.

Para a ‘novata’ Cati Freitas, como ela diz, é um privilégio constar deste leque de cantoras. Afirma-se muito feliz com o tema que lhe foi atribuído, “Borderlines”, “porque a versão da música e a sua profundidade vai de encontro à minha forma de cantar".

Mas homenagear o trabalho de Joni Mitchell não estaria completo sem referir a parte plástica da cantora. “Mas não faria sentido, dentro do conceito do Misty, passaram-se slides da obra dela”, explica Amélia Muge. Assim, surgiu uma ideia diferente, que completará o espetáculo musical e que pretende ser uma forma de harmonizar a música com a imagem. O conceito, que será elaborado pelo ilustrador, desenhador e artista plástico António Jorge Gonçalves, é criar uma atmosfera plástica visual à medida que o concerto decorre. “Estou a fazer pesquisa sobre as canções que vão ser cantadas, a recolher informação, e vou ensaiar, porque preciso de me familiarizar com a minha tela que, neste caso, é o tempo que cada uma daquelas canções dura, e o que cada cantora traz. Esta atmosfera visual vai ajudar a criar no público uma ligação para o que está a decorrer em termos musicais”, diz António Jorge.

Em palco estarão ainda os músicos Filipe Raposo, ao piano; Carlos Miguel, na bateria; e Carlos Bica, no contrabaixo.

O Misty Fest, que teve a sua primeira edição em Sintra, em 2010, e que chegou, nos anos seguintes, a Lisboa e Porto, prepara-se este ano para alargar as fronteiras dos seus palcos. Coimbra é a cidade que acolhe, também, a quarta edição do Misty Fest.

Texto: Helena Ales Pereira

Fotografia: Marta Ribeiro

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