"Lemos, gostámos, ficámos felizes e continuámos a nossa vida", conta Afonso Cabral ao comentar os elogios de que os You Can't Win, Charlie Brown (YCWCB) foram alvo na revista francesa "Les Inrockuptibles", queapontou o sexteto lisboeta como uma das promessas a ter em conta este ano e realçou a carga "melancólica e luminosa" da sua música.

"Tentamos aproveitar isso ao máximo", complementa o músico cuja banda tem sido alvo de um burburinho considerável, até porque os elogios lá fora não passaram despercebidos dentro de portas. E embora não descarte - pelo contrário - oportunidades de tocar no estrangeiro - regressando, por exemplo, a Inglaterra, onde já actuou -, o grupo tenta agora concentrar-se em espectáculos por cá.

Esta quarta-feira, no Miradouro de São Pedro de Alcântara, os YCWCB deram o último de três concertos gratuitos e acústicos em Lisboa, numa invulgar forma de apresentação do seu disco de estreia, "Chromatic". "Fomos apresentar o disco às rádios e tivemos de fazer algumas actuações acústicas, algo que nunca tínhamos feito antes e que nos obrigou a preparar as coisas de outra forma. E gostámos tanto do resultado, dessa nova roupagem das músicas, que achámos que poderia ser interessante mostrá-lo a mais pessoas. Além disso, seria uma forma gira de podermos estar a tocar onde queremos, quando queremos, sem grandes preocupações: andar de guitarra às costas, chegar a um sítio e tocar sem amplificação, sem nada, e está feito. Estamos perto das pessoas e dá-nos um gozo imenso, mais do que outra coisa qualquer", explica Afonso.

Além de Afonso, os YCWCB são compostos por Salvador e Luís Cabral, David Santos (mais conhecido como Noiserv), João Gil e Tomás Sousa. Apesar do número de elementos, a escolha do nome foi consensual e surgiu por acaso, a partir de uma edição de "Peanuts", a célebre BD do norte-americano Charles Schulz, que tinha como título "You Can't Win, Charlie Brown". Ouvindo o disco, percebe-se o porquê desta associação ao universo do dono de Snoopy, uma vez que as canções de "Chromatic" também emanam doses generosas de melancolia e fragilidade.

Antes de chegar a "Chromatic", a folk do sexteto ouviu-se na compilação Novos Talentos da FNAC, em 2009, e um ano depois no EP homónimo da Optimus Discos, disponível para download gratuito. Este ano, os YCWCB prometem chegar mais longe - pelo menos ao Minho, já que são uma das últimas confirmações do festival Paredes de Coura, onde actuam a 19 de Agosto. Para quem tem um nome derrotista, não poderão queixar-se muito do caminho que têm desenhado até aqui.

Texto, entrevista e edição @Gonçalo Sá/ Câmara @Magda Wallmont

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