O vencedor da sexta edição será hoje conhecido, um de três jovens talentos europeus do violoncelo: uma austríaca de Graz chamada Hyacintha Andrej em homenagem à beata de Fátima, a israelita Elia Cohen Weissert, à procura de mais concertos e um dos seus amigos, Jérémy Garbarg, francês filho de músicos e habituado a concursos.

O primeiro a atuar na final, acompanhado pela Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e com direção de Pedro Neves, é Jérémy Garbarg, de 23 anos, do Conservatório Nacional de Música e Dança de Paris, trazendo o Concerto para violoncelo e orquestra de Antonín Dvorák na esperança de poder vencer “um prémio importante, pelo dinheiro e pela oportunidade de tocar na próxima temporada”, o principal ‘chamariz’ do concurso do Porto, criado para homenagear Guilhermina Suggia (1885-1950).

“A Casa da Música é absolutamente fantástica, esta é uma grande oportunidade para mim. É um prémio importante em Portugal e por isso pode ser uma boa porta de contactos para começar a tocar regularmente em Portugal”, atira à Lusa, de volta ao Porto após ter tido um concerto em Munique a meio da competição.

Essa ‘porta’ para mais concertos é um discurso comum aos três – Weissert, israelita de 24 anos que estuda no Conservatório Real de Bruxelas, e amiga de Jérémy, inscreve-se “em muitas competições, muitas mesmo” precisamente por essa razão.

“É muito stressante. Muito. Habituas-te com o tempo, e habituas-te à desilusão, mas não vou fugir da ideia de que é muito stressante. [...] Seria uma grande honra ganhar este prémio e ajudar-me-ia a ter mais concertos, ficava muito bem no ‘CV’”, explica, a meio de um ensaio para interpretar o Concerto de Edward Elgar, pelas 21:00.

Pelo meio, e a tocar uma das suas obras favoritas, o Concerto de Schumann em Si menor, estará Hyacintha Andrej, nascida em Graz em 1995 e praticante de violoncelo “desde os cinco anos”, cujas ligações a Portugal são profundas, mesmo que esteja a visitar o país agora pela primeira vez.

Casa da M

“O meu nome vem da beata Jacinta, de Fátima, e eu sinto-me ligada a este país. Infelizmente, não pude ir a Fátima, não deu tempo, mas sinto-me muito incluída em Portugal. É ótimo, até porque tenho um duo com a Marta Patrocínio, que é daqui”, conta.

A dupla conheceu-se em Zurique, onde Andrej estuda na Universidade das Artes daquela cidade suíça, e planeia lançar um primeiro disco “no outono”, sendo que a pianista portuguesa a acompanhou durante a primeira fase, num recital.

Agora, a visita que acontece “sobretudo pela experiência, por poder tocar com a orquestra e sentir a pressão” pode evoluir para uma vitória, mas só a participação já trouxe benefícios à austríaca.

“Há quem faça mais concursos. Eu fiz este sobretudo porque é importante para ter no currículo e pela experiência. Gosto que neste possa tocar um recital no início, mesmo que sejamos eliminados, em vez de tocar 10 minutos depois de uma grande viagem e ir embora”, comenta.

Os três estão à procura de colocar o nome no mapa português com o prémio, e Elia Cohen Weissert tem também um duo, com o pianista – e namorado - Josquin Otal, embora atue sobretudo ao vivo, e a vasta experiência de palco ajuda a lidar com o nervosismo de acompanhar a Sinfónica na Sala Suggia.

“É de certeza um dos maiores concertos da minha vida. Conheço a Sinfónica e estou muito ansiosa, é um grupo ótimo e de certeza a melhor orquestra com quem já toquei”, refere Weissert, que esteve em Portugal com outro grupo em 2012, no Harmos Festival.

Por seu lado, Jérémy vive “uma ótima experiência”, mesmo que tenha sido cortada pelo concerto em Munique que o impediu “de conhecer a cidade e a região”, com vários concertos fora do país.

Voltou na quinta-feira, na véspera da final, e tem como foco “conseguir ficar mais confiante” para a participação no Prémio ARD, em Munique, em setembro, numa boa combinação não só “pelo reportório comum” como pela distância entre um e outro.

Terceiro classificado na Competição Internacional de Brahms em 2016, o francês tem bastante experiência em concursos e festivais, até pela oportunidade que abre para “treinar um grande reportório, praticar imenso”.

“Eu tinha cinco anos quando comecei a tocar, e os meus pais são músicos. A minha mãe também é violoncelista, o meu pai é pianista, e então estive sempre rodeado de música, mas ter pais músicos não torna as coisas mais fáceis”, avisa.

A experiência comum “faz com que saibam o que passam os filhos” e entendem “a disciplina que exige, o tempo de prática, especialmente na juventude”, num rigor que pode levar a um enfraquecimento da ligação à arte.

“A paixão é a coisa mais importante para preservar. Tanta disciplina pode diminuir isso”, afirma.

A sexta edição do Prémio Internacional Suggia termina hoje na Casa da Música, pelas 21:00, com um concerto dos três finalistas com a Orquestra Sinfónica, a que se segue a deliberação do júri, que inclui vários nomes grandes do violoncelo, entre eles o francês Marc Coppey.

A homenagem anual da Casa da Música a Guilhermina Suggia, que nasceu no Porto e viria a tornar-se uma das grandes violoncelistas do século XX, termina no sábado com a Maratona de Violoncelistas, já com mais de 100 jovens músicos inscritos.

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