“Era muito importante não haver um corte radical com qualquer parceria da cidade. Resolvemos manter o contexto e a regularidade, mas mudar um pouquinho o conteúdo […]. A nossa programação é assumidamente uma programação de questionamento um pouco mais político e social”, disse Cristina Planas Leitão, coreógrafa e intérprete que divide a direção artística do TMP com o programador e curador norte-americano Drew Klein.

Em declarações aos jornalistas após a apresentação de uma temporada que – de janeiro a junho – se compromete a abordar, no Rivoli e no Campo Alegre, “a complexidade do mundo” e apresenta “diferentes realidades vividas em palco”, Cristina Planas Leitão falou da aposta em “distorcer um pouquinho aquilo que já foi criado antes e dar espaço ao questionamento”, nomeadamente através de artistas que promovem um discurso sobre a acessibilidade, entre outros aspetos.

A nova temporada começa a 12 e 13 de janeiro com “Bravo 23!” do Teatro Praga, e prossegue com a comemoração do 92.º aniversário do Rivoli, nos dias 19 e 20, com Miet Warlop/Irene Warlop a apresentar, em estreia nacional, “One Song: Histoir(s) du Théâtra IV” e "Bertie", de Rita Barbosa.

“Por tradição, no aniversário apresentavam-se grandes companhias e este ano resolvemos rasgar um pouquinho com essa tradição. É um programa que nos confronta com a realidade”, descreveu Cristina Planas Leitão.

Os sucessores de Tiago Guedes também destacaram a aposta na realidade virtual que acontecerá com “Bertie”, uma experiência em rede que será apresentada em simultâneo no Rivoli, no Campo Alegre e no gnration (Braga), partindo da ideia de um jogo eletrónico cooperativo.

“Há várias realidades, tanto a nível de conteúdo como de forma, que começamos a explorar nesta temporada. A Rita é uma primeira aposta e ainda é um experimento total. A partir de setembro teremos mais. A realidade virtual está cada vez mais presente. É uma realidade dos adolescentes que passam muito tempo num plano paralelo que não é o presencial. Resolvemos arriscar logo no aniversário”, descreveu a codiretora.

Fevereiro arranca, nos dias 2 e 3, com “Pêndulo” de Marco Martins, no Campo Alegre, espaço que também recebe, a 9 e 10, “A Missão da Missão”, da Aurora Negra, “uma revolução feminina e negra de sete mulheres em ciclos constantes de esperança”, lê-se na sinopse da peça.

Ainda em fevereiro, o CCN – Ballet de Lorraine traz ao Porto, em estreia nacional, “Acid Gems”, de Adam Linder, e “Static Shot”, de Maud le Pladec, dois jovens coreógrafos que desafiaram a estrutura clássica (dias 25 e 26, no Rivoli).

“Têm uma estética mais punk e mais disruptiva”, resumiu Cristina Planas Leitão, ao abordar a ideia de que a nova temporada do TMP reunirá “formatos que são conhecidos, mas com recheio completamente distinto”, bem como “nomes consagrados, mas que questionam o mundo atual”.

“Até mesmo a Companhia Nacional de Bailado (CNB) traz uma linha mais contemporânea”, acrescentou, referindo-se a um espetáculo agendado para 30 e 31 de maio e 01 de junho, no Grande Auditório do Rivoli, que junta três nomes da dança contemporânea: Hofesh Shechter, Vasco Wellenkamp e Ohad Naharin.

Antes, a 8 e 9 de março, o Rivoli recebe a coreógrafa Marlene Monteiro Freitas com a companhia Dançando com a Diferença com “ÔSS”.

Nos dias 22 e 23, estreia-se em Portugal “The Dan Daw Show”, numa coapresentação TMP/Culturgest, um espetáculo que Cristina Planas Leitão acredita que despertará “muitas lágrimas”.

“O Dan é uma pessoa extraordinária. Tem sido pioneiro como voz muito presente no panorama europeu em relação a mudar políticas de acessibilidade. É uma das poucas pessoas com paralisia cerebral que faz parte de painéis de júris e de comités curatoriais”, referiu.

Abril, “mês da revolução”, será marcado por “G.O.L.P.” de Gonçalo Amorim /TEP & Alexis Moreno/ Teatro La Maria, uma comédia em estreia nacional no Rivoli, dias 4, 5 e 6.

Depois, a artista ativista Tita Maravilha toma conta do Rivoli, a 6 de abril, com a segunda edição do Festival de Performance “#PRECÁRIAS”, um projeto intercultural e comunitário focado em pessoas trans, queer, não-binárias, mulheres e racializadas que se dedica à criação de narrativas alternativas.

Em junho, dias 6 e 7, estreia-se no Rivoli “ZHA!” do projeto portuense Visões Úteis, uma peça com direção artística de Inês Carvalho, e o Ballet National de Marseille apresenta “Age of Content”, nos dias 14 e 15 também no Rivoli.

Este ciclo de programação inclui festivais como o DDD – Festival Dias da Dança (de 23 de abril a 5 de maio), o FITEI – Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica (de 14 a 25 de maio) ou o Trengo – Festival de Circo do Porto (dias 28 e 29 de junho).

“O DDD coincide com os 50 anos do 25 de Abril, mas não será sobre a revolução. Mostrará, isso sim, como a dança pode ser revolucionária”, apontaram os responsáveis.

Oficinas, ‘masterclasses’, visitas dramatúrgicas, ensaios e aulas abertas e conversas pós-espetáculos são outros dos destaques de uma temporada que terá uma novidade: o podcast “Mescla” conduzido pela atriz, performer e poeta Rafaela Jacinto, disponível nas plataformas de streaming.

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