A iniciativa vai decorrer em 12 cidades ao longo de uma semana, durante a qual artistas, empresários e programadores deverão estabelecer uma rede, mas o objetivo é que continue durante o ano inteiro.

“Nós vamos continuar a trabalhar com as pontes que construímos aqui, com esta rede de cidades, vamos continuar a ligar estas pessoas e todos os meses vamos ter alguma coisa a acontecer, seja um ‘workshop’, seja um espetáculo. Nós já temos programação até março”, disse à agência Lusa a empreendedora cultural Ana Miranda, que há oito anos fundou em Nova Iorque o Arte Institute.

Entre os dias 14 e 21 de setembro, o RHI vai reunir em Portugal curadores, programadores culturais e artistas oriundos de várias partes do mundo, primeiro com iniciativas em Lisboa, que depois se vão estender a Torres Vedras, Caldas da Rainha, Óbidos, Guimarães, Leiria, Alcobaça, Évora, Vidigueira, Loulé, Funchal e Faro.

Além de palestras e debates, haverá espetáculos (na maioria gratuitos) e oficinas temáticas, abrangendo as áreas da Música, Arquitetura, Design, Teatro, Cinema, Audiovisual, Dança, Literatura, Educação e Cidadania.

“Para além de aproximar o público da arte, o objetivo da iniciativa é dotar os artistas de ferramentas para que possam otimizar a sua relação com o financiamento, propor outras modalidades de negócio e criar ligações mais sólidas entre o turismo e a cultura”, explicou a promotora da iniciativa.

Três Dias da Música dedicados à importância da palavra no CCB

Neste “diálogo” cultural à escala mundial – que abrange 75 palestras e 50 'workshops' - estão envolvidos 23 países, dos quais marcam presença representantes governamentais de Angola, Moçambique, Cabo Verde, Indonésia Tailândia, México e das ilhas Canárias, entre outros países, assim como “mais de 20 oradores e programadores internacionais de referência”.

Para os profissionais da arte e do turismo, Ana Miranda destaca a Culturgest, onde vão decorrer vários ‘workshops’ que ensinam as pessoas a fazer planos de negócios, nos quais vão estar os programadores americanos das áreas das artes performativas e da música, como é o caso dos curadores do Williams Centre, do Central Park e do Dawn Hall.

No que diz respeito à área do cinema, a promotora destaca o Centro Cultural de Belém (CCB), onde vão estar vários realizadores, entre os quais Joaquim Leitão, a “falar sobre o mercado americano e modelos de financiamento alternativos ao que temos em Portugal”.

Ainda no âmbito dos encontros entre artistas e promotores, a Fundação Oriente será palco de palestras e conversas sobre educação e cidadania, enquanto as artes e a arquitetura vão ocupar o MAAT.

Para o público em geral, está previsto um ‘workshop’ de música com a cantora Rita Redshoes, bem como ‘workshps’ de artesanato “para quem quer fazer bordado em fotografia ou quem quer aprender a trabalhar o plástico”, destacou.

A oferta cultural para crianças abarca diversas iniciativas relacionadas com a realidade virtual e a robótica.

No que respeita a espetáculos, na Culturgest, o poeta e escritor angolano Ondjaki junta-se ao ilustrador António Jorge Gonçalves, ao músico Filipe Raposo e ao escritor Afonso Cruz, como convidado especial, para um espetáculo intitulado “Desnavegar”.

Na Literatura, acolhida pela Casa da América Latina, há uma série de painéis com escritores como José Luís Peixoto e o tailandês Prabda Yoon, bem como uma conversa sobre a internacionalização da língua através do cinema, das telenovelas e da música, que conta com a participação de Javier Riojo e Luís Filipe Castro Mendes, poeta e ex-ministro da Cultura.

No dia 15, a Fundação Oriente recebe um “grande espetáculo que termina [a programação em Lisboa] que é ‘Os murmúrios de Pedro e Inês’", que o Arte Institute tem "levado pelo mundo inteiro”, um espetáculo interativo com textos de Afonso Cruz e música de Bernardo Sassetti, com Fernando Duarte e Solange Melo.

Gonçalo M. Tavares recorda passagem pelo futebol

Já Gonçalo M. Tavares estará em Faro no dia 17, para apresentar a exposição “The Wrong House Project”, em colaboração com a School of Visual Arts, em Nova Iorque, onde o escritor português iniciou o projeto.

Para Ana Miranda, “é importante que Portugal comece a ser visto como um destino cultural turístico, é essencial criar redes internas no país entre artistas, produtores e agentes culturais através de uma descentralização pelo país, e trazer mais programadores a Portugal para que possam conhecer os artistas e a cultura portuguesa contemporânea”.

A promotora afirma que “nunca foi feito um evento desta dimensão com uma descentralização tão grande com tanta gente e tanta coisa a acontecer ao mesmo tempo em Portugal”.

“É realmente uma coisa sem precedentes e nós achámos que podíamos fazer isto, porque não podemos levar os artistas todos para o estrangeiro, mas podemos trazer os estrangeiros até cá para conhecer o que nós somos”, considerou, reconhecendo que o facto de Portugal estar agora no centro do turismo, ajudou a concretizar este projeto.

“Há três anos, nenhum destes programadores estaria aqui uma semana, mas agora Portugal está na moda e temos que aproveitar par pôr o nosso pé como destino cultural turístico e mostrar que somos mais do que o fado, e que a nossa cultura é muito mais vasta do que os ‘clichés’ a que estamos reduzidos”.

Produzido com um orçamento de 40 mil euros, conseguidos sem fundos, só com parcerias, este projeto é a prova de que é possível fazer sem se estar dependente de subsídios, considerou Ana Miranda, criticando a inércia dos artistas em Portugal.

“Acho que a classe artística tem que repensar isto: os mais difíceis a abrir-se são as pessoas para quem isto inicialmente foi concebido, são os que demoraram mais tempo a chegar, as empresas chegaram rápido”, lamentou Ana Miranda.

E acrescentou: “As pessoas acusam muitas vezes a estrutura em Portugal, a falta de apoios. Os apoios estão aqui. A sociedade civil agarrou nas pessoas e com 40 mil euros trouxe-as a Portugal. No fim disto tudo, há que fazer uma avaliação de como é que nós, enquanto artistas, nos estamos a posicionar em Portugal, porque não podemos exigir e fazermo-nos de coitadinhos, que ninguém nos apoia, ninguém nos ajuda, quando as coisas estão aqui à porta e eles são os últimos a chegar”.

A plataforma www.rhi-think.com é “onde vamos continuar a movimentar isto tudo” e onde está disponível toda a programação, concluiu Ana Miranda.

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