Em palcos como o da Culturgest, Maria Reis gosta de se “desafiar” e de desafiar os outros, tendo em conta que “há mais oportunidades em termos de produção”, a “criar uma coisa mais particular e especial, e talvez um bocadinho mais megalómana, mas dentro da decência”, contou à Lusa.

Por isso, em palco, além de Júlia Reis, a irmã com quem fundou a banda Pega Monstro, Maria Reis vai contar com um coro, composto por Arianna Casellas, Ela Li, Leonor Arnaut, Nëss, Puçanga e Sallim.

O concerto irá abarcar a carreira de Maria Reis a solo e com as Pega Monstro, mas servirá sobretudo para apresentar “Benefício da Dúvida”, editado no início deste mês e que sucede ao EP “A flor da Urtiga”, do ano passado, e “Chove na sala, água nos olhos”, do final de 2019 e que marcou a estreia da artista a solo.

O novo álbum foi criado no final do ano passado, numa residência artística em Viseu, a convite da Galeria Zé dos Bois, numa colaboração com o Teatro Viriato.

A residência terminava com um espetáculo ao vivo, mas Maria Reis não queria “que a coisa ficasse só por ali”.

“Não queria fazer uma coisa que só acontecesse para uma ocasião. Queria que pudesse ser um sítio onde pudesse desenvolver o meu trabalho, e muito do meu trabalho é compor, e continuar a compor, a criar repertório, a alimentar o bicho do repertório”, disse.

Por isso, decidiu que seria ali, “fechada na parte debaixo do palco” do Teatro Viriato, que criaria o novo álbum, que foi gravado no gnration, em Braga.

O local acabou por não influenciar diretamente o processo criativo, “mas geograficamente acabou por calhar bem”, porque a irmã Júlia, “que participa bastante no disco”, vive numa aldeia perto de Viseu.

“Acabou por ser uma coincidência feliz e que nos ajudou a conseguir avançar muito no trabalho”, contou.

Júlia, além de tocar pandeiro e cantar, ajudou Maria “a limar as canções” em que participa e com “sugestões de harmonias e arranjos”.

Em termos estéticos, mas também práticos, Maria e Júlia queriam que o som de “Benefício da Dúvida” ficasse “bastante fiel àquilo que soa naturalmente”.

“Porque eu e a Júlia, e mesmo eu sozinha a tocar, estávamos a tocar e a desenvolver muito a coisa no sentido mais acústico. Então, quando fomos gravar, quisemos realçar isso. E também, não tendo tantos dias de estúdio, não tendo tanta margem de ficar ali dias e dias, acabou por ser mais eficaz”, recordou.

Os sete temas que compõem o álbum acabam por “ir ao encontro da ideia de sim ou não, de ponderação e de dilema, e de arriscar e não saber o resultado à partida, mas ainda assim a gente tenta”. “E isso interessa-me na vida, mas também na arte”, partilhou.

Em “Benefício da Dúvida”, Maria Reis volta a tocar viola campaniça, que já tinha gravado em “Flor de Urtiga”.

A primeira canção que escreveu na campaniça foi a pensar no primeiro concerto que teve ‘pós-confinamento’, em junho de 2020, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

A partir daí começou a usá-la também “porque dá jeito”. “É um instrumento pequenino, levo a viola e campaniça e consigo fazer um espetáculo”, disse.

O concerto de Maria Reis na Culturgest está marcado para as 21:00 no Auditório Emílio Rui Vilar.

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