O prémio Nobel da Literatura 2016 foi atribuído a Bob Dylan, "por ter criado novas expressões poéticas na tradição da canção americana", anunciou a secretária-geral da Academia, Sara Danius, entre os aplausos dos jornalistas reunidos no majestoso salão da Bolsa em Estocolmo.

Numa curta entrevista após anunciar o laureado, a secretária permanente da Academia Sueca, Sara Danius, explicou que Bob Dylan mereceu o prémio por ser "um grande poeta na grande tradição poética inglesa". "Ele encarna essa tradição", disse a responsável, lembrando que há 54 anos que o cantor, poeta e compositor se reinventa, criando novas identidades.

Desafiada a escolher uma canção emblemática do agora Nobel da Literatura, Sara Darius disse que o álbum "Blonde on Blonde", de 1966, "é um exemplo extraordinário da sua forma brilhante de rimar e do seu pensamento pictórico".

A representante da Academia Sueca lembrou ainda, quando questionada sobre a especificidade da poesia de Dylan, que foi escrita para ser cantada, que também Homero e Safo, há mais de 2000 anos, escreveram poesia que devia ouvir-se. "E ainda hoje lemos Homero e Safo", frisou.

Uma carreira com mais de cinquenta anos

Em maio passado, Bob Dylan lançou o 37º  álbum de estúdio, "Fallen Angels". No disco, o cantor interpreta músicas americanas clássicas popularizadas por Frank Sinatra.

Em 2015, o músico norte-americano recebeu o Grammy de Personalidade do Ano, na 57ª edição dos galardões de música. Bob Dylan, de 75 anos e que já conquistou dez Grammy (um deles de carreira, em 1992), foi homenageado na cerimónia com um tributo que contou com nomes como Neil Young, Jack White, Eddie Vedder, Beck, The Black Keys, Tom Jones e Los Lobos.

A carreira de Bob Dylan soma mais de cinquenta anos, desde que, influenciado por Woody Guthrie, editou o álbum de estreia, "Bob Dylan", em 1962, feito sobretudo de versões de canções tradicionais.

A partir daí editou mais de trinta álbuns, entre os quais "The times they are a-changin'", "Highway 61 revisited", "Blonde on Blonde" e os mais recentes "Modern Times" e "Tempest".

No próximo mês, a 11 de novembro, o cantor vai editar 36 discos da digressão de 1996. "Bob Dylan: The 1966 Live Recordings" conta com gravações de concertos de Dylan nos Estados Unidos e na Austrália, mas principalmente na Europa.

Nos espetáculos da digressão, o músico norte-americano nem sempre era recebido com alegria pelos fãs que ficavam surpreendidos com a guitarra elétrica de Dylan.

Dylan editou ainda obras literárias como, por exemplo, "Tarantula" (1971), a autobiografia "Chronicles" (2004), "If Dogs Run Free" (2013) e "If Not You" (2016).

O anúncio da Academia sueca no Twitter:

O anúncio do premiado foi este ano feito um pouco mais tarde do que o calendário habitual.

Atribuído pela primeira vez em 1901, ao francês Sully Prudhomme, o Nobel da Literatura, um dos mais mediáticos ao lado do Nobel da Paz, tem sido sempre anunciado a uma quinta-feira, normalmente na primeira semana de outubro, na mesma semana em que outros quatro galardões criados por Alfred Nobel. Mas por razões de calendário, o galardão para a área da Literatura foi este ano o último a ser anunciado.

O escritor japonês Haruki Murakami era um dos nomes que reunia maior cotação nas previsões. O poeta sírio Adonis e o escritor queniano Ngugi wa Thiong'o também eram citados ao lado de autores americanos mundialmente reconhecidos como Don DeLillo, Philip Roth e Joyce Carol Oates.

Outros nomes frequentemente referenciados foram os do português António Lobo Antunes e do britânico Salman Rushdie, mas também o do albanês Ismail Kadaré, do israelita David Grossman, do francês Milan Kundera e o dramaturgo norueguês Jon Fosse.

Em 2015, a bielorussa Svetlana Alexievitch foi laureada com o Nobel da Literatura. José Saramago recebeu o Prémio Nobel de Literatura em 1998.

Os prémios Nobel nasceram da vontade do químico, engenheiro e industrial sueco Alfred Nobel (1833-1896) em doar a sua imensa fortuna para o reconhecimento de personalidades que prestassem serviços à humanidade.

O inventor da dinamite expôs este desejo num testamento redigido em Paris em 1895, um ano antes da sua morte. Os prémios foram atribuídos pela primeira vez em 1901.

Recorde os vencedores do prémio Nobel da Literatura dos últimos 15 anos:

2016 : Bob Dylan (EUA)

2015 : Svetlana Alexievitch (Belarus)

2014 : Patrick Modiano (França)

2013 : Alice Munro (Canadá)

2012 : Mo Yan (China)

2011 : Tomas Tranströmer (Suécia)

2010 : Mario Vargas Llosa (Peru/Espanha)

2009 : Herta Müller (Alemanha)

2008 : Jean-Marie Gustave Le Clézio (França)

2007 : Doris Lessing (Grã-Bretanha)

2006 : Orhan Pamuk (Turquia)

2005 : Harold Pinter (Reino Unido)

2004 : Elfriede Jelinek (Áustria)

2003 : J.M. Coetzee (África do Sul)

2002 : Imre Kertész (Hungria)

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